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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Festa de Comemoração de 85 Anos do Bar Lagoa com inauguração do Painel de Miguel Paiva

Fotos: Cristina Granato

O  bar Lagoa (1934-2019), comemora 85 anos ( é o mais antigo no eixo Ipanema, Leblon e Lagoa) e para celebrar  vai homenagear  as maiores autoridades da casa: seus garçons. Eles  serão retratados em um painel de seis metros de largura (vide foto), resultado de três meses de trabalho dos chargistas  Miguel Paiva, Aroeira e Gabriel Souza. A inauguração aconteceu no dia 28/1, segunda, às 19h. Entrada franca. Na ocasião a reprodução  do painel,  foi vendida, (medindo um metro de largura, em papel de gravura impressa a Laser (papel Canson 250 gramas),  R$ 200,00.



O Bar Lagoa (Av. Epitácio Pessoa, 1674 – Lagoa – Tel.21 25 23 11 35), fundado em 1934, quando Ipanema e o Leblon eram lugares isolados, habitados por pescadores. A história do bar se confunde com a do Rio de Janeiro e do Brasil. Construído às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, estilo Art-Déco, inicialmente batizado pelos proprietários alemães como "Bar Berlim" , era freqüentado pela comunidade germânica. Mas teve que mudar de nome durante a Segunda Guerra Mundial, após o bar ser apedrejado  por jovens revoltados com o afundamento de navios brasileiros, que diziam ter sido bombardeados por submarinos alemães. Os mais antigos contam que no início, todos os garçons eram estrangeiros e os  brasileiro  ficavam na cozinha. Depois de muito tempo é que foi dado o direito ao brasileiro de ser garçom no salão. Hoje, a maioria é cearense, dos 48 funcionários, 45 são cearenses.



A memória do bar Lagoa é  muito forte porque  a maioria dos garçons têm muitos anos de casa, e lá estão eles eternizados no painel: o Chico Barroso,  tem 48  anos de Lagoa, e o ofício está passando de geração para geração, pois o seu filho Michael  trabalha 21 anos no Lagoa.  Zeca Alves tem 43 anos de casa, Alfredinho Gouveia, tem 39 anos, Antonio da Silva Gomes, tem 38 anos, e  FranciscoPaiva  há 37 anos ,  Francisco Antonio Pessoa, tem 29 anos, Amancio Rodrigues 25 anos.



O prédio, tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional , sobreviveu à uma feroz especulação imobiliária, em uma região residencial de alto luxo, a avenida Epitácio Pessoa (é o único bar  no entorno da lagoa). E  conserva a sua arquitetura  marcada pelo rigor geométrico, predominância de linhas verticais e ângulos retos nas portas. As esquadrias  e as luminárias são originais e dão estilo, os mármores  encimados por frisos dourados e  por  espelhos elípticos nas portas e no balcão dos músicos, hoje desativado e  não tem Wi-fi. De sua varanda dá para ver o Cristo Redentor e uma muralha de montanhas, negras, azuladas que contornam a lagoa  A culinária da casa traz especialidades alemães,  o bife à milanesa com salada de batata e espuma de chope é premiada como "Os Melhores do Rio", e  o cardápio é o mesmo há década. O mármore de Carrara, que reveste  parte do interior do bar foi trazido da Itália em navios que aportavam em um cais que existia no Canal do Jardim de Alah.



O Lagoa, uma paixão carioca, comemora mais de oito décadas e  quem vai ganhar os Parabéns são os seus garçons, que  com o tempo passaram a ser  amados pelos clientes, são amigos, psicólogos, sinônimo de cordialidade e profissionalismo, as verdadeiras estrelas da casa e razão da homenagem



Reza uma lenda carioca de que o bar Lagoa tem fama de ter os garçons mais rabugentos do Rio. Especula-se  que tudo começou com uma figura folclórica pela antipatia, o  garçom João Godoy, conhecido como Figueiredo, que trabalhou durante 34 anos na casa. Durante a ditadura Militar, nos anos 1960, um oficial de alta patente adentrou o Bar Lagoa, acompanhado de um cão e sentou-se à mesa e Figueiredo imediatamente, pediu ao militar que se retirasse. Aos berros, o cliente se identificou como  coronel do Exército. E Figueiredo retrucou: - O senhor pode ser coronel, mas o seu cachorro não é"