Pesquisar

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Apresentação do filme "O Grande Circo Místico" de Cacá Diégues durante o Festival do Rio 2018

Fotos: Cristina Granato

O Grande Circo Místico é o 18º longa-metragem de Carlos Diegues, um dos nomes mais importantes da cultura e do cinema brasileiros.

Inspirado no poema de Jorge de Lima e com músicas de Chico Buarque e Edu Lobo. O filme conta a história de cinco gerações da família dona do circo. Desde a inauguração do Grande Circo Místico, em 1910, até os dias atuais, os espectadores acompanharão com a ajuda de Celaví, o mestre de cerimônias, as aventuras e os amores da família Kieps, desde o início, passando por sua decadência, até o surpreendente final. Um filme em que realidade e fantasia se juntam em um universo místico.

Cacá Diegues sobre o filme:
Desejo que o espectador seja solidário e compassivo com o que mostro, jamais piedoso. Além de
contar uma história, não posso esquecer o prazer do cinema, o estímulo do conhecimento e do encanto que deve estar sempre impregnado nele.

• A razão global tenta eliminar o barroco da cultura brasileira em benefício do lógico, contra o sonho. A curva está levando uma goleada da reta. O fanatismo iluminista, a ideia de que a razão será capaz de tudo acertar, disfarça o projeto de controle da imaginação. Bloqueia nossa capacidade de criar o novo num mundo sem saída.

• Jorge de Lima, o poeta barroco no qual esse filme é inspirado, está presente nele não só com o poema que lhe deu o título, mas também com pedaços de sua obra que fomos incorporando à
narração. Poeta, romancista, ensaísta e artista plástico, Jorge de Lima é um dos maiores brasileiros do século XX, um dos grandes cultores da língua portuguesa de todos os tempos.

• Em todos os humanismos que conhecemos há sempre a previsão final do triunfo do homem, no paraíso, na sociedade sem classes, na harmonia com a natureza, na Parusia. A poesia me ajuda a pensar sobre a necessidade de um novo humanismo não-triunfalista. As imperfeições humanas podem ser fonte de algumas das melhores virtudes do homem. Como a fraqueza do amor, por exemplo.

• Meu último filme de ficção antes desse, “O maior amor do mundo”, foi lançado no final de 2005. Depois dele, decidi que o próximo seria “O Grande Circo Místico”, para cuja escritura e produção me empenhei desde então. Nesse intervalo de 12 para 13 anos, me entreguei a esse projeto, enfrentando dificuldades pessoais, técnicas e financeiras, com produção permanente de Renata Magalhães, parceria no roteiro de George Moura e a esperança de contar com a trilha de Chico Buarque e Edu Lobo.

• Mas não levei esses anos todos vendo a banda passar. Dirigi três documentários de longa-metragem: “Nenhum motivo explica a guerra”, 2006, sobre a formação do Grupo Cultural AfroReggae; “Rio de fé”, 2013, sobre a visita do Papa Francisco ao Rio de Janeiro; e “Vinte”, 2014, sobre os vinte anos da Retomada do cinema brasileiro. Produzi filmes de outros diretores: “5XFavela, agora por nós mesmos”, 2010, e “5XPacificação”, 2011, ambos dirigidos por jovens cineastas moradores de favelas cariocas; “Favela Gay”, 2012, de Rodrigo Felha; “Giovanni Improtta”, 2013, de José Wilker; e, para a televisão, a série “Mais vezes favela”, 2011, dirigido pelos mesmo cineastas de “5XFavela, agora por nós mesmos”.

• Portanto, enquanto saía de profunda crise pessoal investindo minha vida em “O Grande Circo Místico”, permaneci fazendo cinema de outro jeito. Como já venho dizendo desde “Bye Bye
Brasil”, minha vida tem sido, acima de tudo uma luta permanente contra a melancolia e a obesidade.
• “Alegria, putaria e poesia”, como diz o mestre-de-cerimônia Celaví, no início de “O Grande Circo Místico”. Isso é a vida.

Carlos Diegues
Rio, julho 2018

O Grande Circo Místico o Filme
Um filme de Carlos Diegues
Escrito por Carlos Diegues e George Moura
Baseado em um poema de Jorge de Lima
Produzido por Renata Almeida Magalhães
Coprodutores: Globo Filmes (Brasil),
Fado Filmes (Portugal), Milonga Productions (França)

Equipe técnica 
Diretor de Fotografia: Gustavo Hadba
Diretor de Arte: Artur Pinheiro
Figurinos: Kika Lopes
Design de Som: Simone Petrillo
Edição: Mair Tavares e Daniel Garcia
Música: Chico Buarque e Edu Lobo

Elenco
Jesuíta Barbosa
Bruna Linzmeyer
Rafael Lozano
Nuno Lopes
Marina Provenzzano
Juliano Cazarré
Flora Diegues
Luiza Mariani
Marcos Frota
Mariana Ximenes
David Ogrodnik
Amanda Brito
Louise Brito
Participacões especiais
Vincent Cassel
Antonio Fagundes
Catherine Mouchet