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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Fundador do grupo Secos & Molhados, Gerson Conrad, retorna com disco de carreira - 'Lago Azul' - após 37 anos

Foto: Elias Nogueira
No dia 23 de maio de 1973, João Ricardo (violões de 6/12 cordas, harmônica de boca e vocal), Ney Matogrosso (vocal), Gerson Conrad (violões de 6/12 cordas e vocal) e Marcelo Frias (bateria e percussão) entram no estúdio "Prova-SP" para gravar o primeiro LP dos Secos & Molhados - acompanhados de músicos e arranjadores de apoio: Sérgio Rosadas (flauta transversal e flauta de bambu); John Flavin (guitarra e violão de 12); Zé Rodrix (piano, ocarina e sintetizador); Willi Verdauguer (baixo) e Emílio Carrea (piano).

O disco foi lançado pela gravadora Continental. Resultado: Secos & Molhados virou fenômeno nacional! Retornado da bem sucedida tour pelo México, os Secos & Molhados entram no estúdio Prova-SP de Maio a Julho, gravam o segundo álbum com encomenda inicial de 150.000 cópias.

Em 10 de agosto de 1974, chega às lojas o esperado segundo disco dos Secos & Molhados. No dia 12 de agosto, véspera da estreia do show, um dia após apresentação do programa “Fantástico”, da TV Globo, com os clipes de lançamento do novo disco vem à tona a notícia bombástica: O fim dos Secos & Molhados!

Gerson Conrad, violinista, compositor e criador do emblemático sucesso dos Secos & Molhados “Rosa de Hiroshima”, melodia em cima de um poema de Vinicius de Moraes, além de canções imortais que se tornaram clássicos como “El Rey” e “Delírio”.

“Sem falsa modéstia são três obras que levam minha assinatura. “Rosa de Hiroshima”, a música, eternizou o poema de Vinicius de Moraes e se tornou a obra de referência dentro do trabalho S&M. Carro chefe na carreira solo do Ney Matogrosso e da minha, enquanto compositor e, hoje em dia, continua sendo a obra do grupo que tem reconhecimento internacional” detalha Gerson Conrad.

Em 1974, com o término dos Secos & Molhados, Gerson se juntou ao letrista Paulo Mendonça com atriz e cantora Zezé Motta, e lançou em 1975 o disco Gerson Conrad e Zezé Motta, no qual se destacaram as canções "Trem Noturno" e "A Dança do Besouro". Em 1981 fez outro trabalho solo, “Rosto Marcado”, lançado pela gravadora Som Livre.

Em tempo: Gerson Lança “Lago Azul” que marca o retorno em disco de carreira depois de 37 anos.

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Lago Azul
- Em meados de janeiro de 2017, entrei em estúdio para começar a registrar e organizar composições inéditas de meu repertório guardadas desde 1981 quando havia gravado meu último registro em disco. Com a facilidade de estúdio do meu guitarrista e arranjador Aru Jr. demos início às gravações, porém, sem a intenção de que fosse uma produção independente ou virasse um CD. Sem pressa nos habituamos a trabalhar cada composição inédita semanalmente e, ao final de outubro/2017, nos demos conta de que tínhamos material para mais de três discos.

Sem a intenção ou obrigação de lançar esse material, surgiu a oportunidade de apresentar à gravadora Deck que imediatamente se propôs a lançar nos formatos digital e CD físico.

- “Lago Azul” é uma composição minha, letra e música que havia composto para concorrer no último Festival Globo Shell, década de 1980. Dias depois da inscrição, recebi uma carta assinada pela direção do festival, informando de que a música estava acima da média das composições inscritas e assim sendo, de difícil julgamento, "or concurr". (risos) Por esse motivo não havia sido selecionada para concorrer com as demais. Enfim, coisas que só acontecem no Brasil.

Repertório
- A escolha do repertório foi de muita emoção em meio ao material que havíamos gravado no período citado. Em “Lago Azul” reúno composições inéditas que datam algumas, desde a década de 1970 até os dias de hoje.

Parceria em composições
- Quando comecei a compor, ainda adolescente, não ousava escrever letras ou poemas de próprio punho, então surgiu à necessidade de trabalhar com parceiros letristas ou poetas. Anos mais tarde, descobri que tinha essa capacidade.

Meus dois primeiros discos, Trem Noturno (Som Livre 1975) e Rosto Marcado (Continental 1981) só trabalhei com Paulinho Mendonça nas parcerias.

Em Lago Azul, além do Mendonça, apresento novos parceiros e algumas composições em que assino letra e música. Pedro Levitch se tornou um parceiro na década de 1980, porém, não havia tido a oportunidade de gravar nossa sinergia até então.

Já Alessandro Uccello, foi um parceiro mais recente dos últimos anos. No caso de Aru Jr., se tornou parceiro na faixa “Quem Sente Não Cala” pelo fato de ter ilustrado com uma composição melódica incidental de sua autoria, a composição de minha autoria, letra e música.

Clipe – Teias (Pedro Levitch/Gerson Conrad) 
- É uma das nossas primeiras parcerias, de 1986, quando Pedro escreveu o poema para Ney Matogrosso que na época não se interessou em gravar. Contudo, incluí a música em meu repertório de apresentações ao vivo e, a música tem sido uma das mais aplaudidas pelo público desde então. Assim, a escolhemos para a confecção do videoclipe/doc.

Paulinho Mendonça
- Paulinho foi meu primeiro parceiro desde a época do S&Ms. Mais do que natural que estivesse presente em “Lago Azul”.

Versátil
- Sou um compositor eclético e a música que faço considero de cunho universal - sem rótulos ou regionalismos, apesar de Lago Azul se enquadrar dentro do conceito pop-rock. Acredito que a “Arte”, ou o processo criativo não se explica, devendo cada observador frente a uma obra visual ou auditiva, criar seu próprio conceito dependente de sua emoção. “Lago Azul” traz um psicodelismo em cada faixa, está na tradução literal do grego ou "o que revela a alma" segundo o psiquiatra inglês Humphry Osmond "revelação da mente" (década de 1960). Assim vejo meu trabalho criativo. Por esse motivo, em vez de explicar ou comentar cada uma das composições/faixas, convido a todos que mergulhem nesse "Lago Azul" assim como mergulhamos, Aru Jr, a Deckdisc e eu - deixemos aflorar suas emoções e considerações sobre esse novo trabalho.