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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Netflix apresenta seu primeiro documentário brasileiro e retrata Laerte refletindo sobre seu universo feminino








Por: Eduardo Moraes 
Fotos: Divulgação

Após viver quase 60 anos como homem, com três filhos e três casamentos, o cartunista Laerte assumiu em 2009 sua identidade feminina.

Essa transição está inserida na reflexão que ela faz no documentário “Laerte-se”, o primeiro documentário brasileiro produzido pela Netflix, realizado por Eliane Brum e Lygia Barbosa da Silva, que levou três anos para ser finalizado.

O documentário acompanha Laerte em seu cotidiano, em casa, na ida à manicure, ao lado de seu neto e de seu filho, entre outras situações corriqueiras de sua vida. Mostra o lado humano de um ícone, com seus medos, desejos (de colocar peito), seu convívio com sua família, seus gatos, seus pensamentos sobre sexualidade, política e principalmente de vida. Despede-se de tudo, até literalmente, mostrando-se da forma mais nua e crua, da qual poderia se mostrar.

O documentário é recheado de charges animadas da autoria da própria Laerte, com todo seu humor, ora ácido, ora apenas divertido, por vezes irônico, atrevido e até com uma seriedade extremamente necessária.

Outras pessoas passeiam pelo doc dando uma leveza e singeleza, que torna sua história um delicioso cotidiano que, em mais de uma hora e meia, nós nos acostumamos a vivê-lo e quando acaba, dá até uma saudade do que já não acompanharemos mais, é como se quiséssemos acompanhar sua vida como a um reality show, com uma hora diária de vivência Laertiana. Uma dessas personagens, a manicure, não consegue desvincular a Laerte do antigo Laerte, ela é uma figura à parte, engraçada, sincera e ao mesmo tempo inocente diante de uma situação que não compreende (ainda). Até mesmo Laerte por vezes se perde entre os artigos, posicionando-se no masculino, mas enfim é compreensível, afinal foram quase sessenta anos de um homem chamado Laerte e como ela mesmo diz: "ele ou ela, tanto faz".

Quando fala sobre sua sexualidade e a comunidade LGBT, Laerte não poupa críticas à sopa de letrinhas. Expõe seu ponto de vista sem medo de sofrer represálias, confessa que fez piadinhas homofóbicas quando jovem e que se envergonha disso. Enfim, assim como todas as outras passagens contadas por Laerte, todas são cheias de humor e verdade. Um documentário para ser visto e se apaixonar por Laerte, ou até quem sabe odiar, mas não para passar indiferente por ela em sua vida.

O documentário "Laerte-se" encontra-se disponível na plataforma www.netflix.com.br

Confira abaixo o trailer do documentário:




Conteúdo publicado originalmente no www.emneon.com.br