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sábado, 27 de maio de 2017

Luciene Franco emociona público em tocante homenagem pelos 100 anos de Dalva de Oliveira

De Luiz Carlos Lourenço
Fotos de Vitoria Virtus

A FUNJOR (Fundação José Ricardo) apresentou ontem à noite um belo espetáculo num dos salões do Clube Ginástico Português, quando a consagrada cantora LUCIENE FRANCO, comandou um show comemorativo do centenário da Rainha da Voz, DALVA DE OLIVEIRA.  

Durante quase duas horas, com uma platéia lotada de antigos fãs da Rainha da Voz, todos aplaudiram e cantaram com ela os mais conhecidos sucessos de Dalva interpretados com emoção, respeito e talento por Luciene Franco.

Acompanhada pelo tecladista e maestro Agostinho Silva, em alguns momentos, Luciene chegou a se emocionar ao lembrar algumas canções de Dalva e precisou ser acompanhada em lindo coro formando pelo público presente. Outra renomada cantora contemporânea de Luciene e Dalva, ELEN DE LIMA, sentada bem à frente da plateia, chegou a “bancar o ponto” e lembrar alguns versos para a amiga, ao ver sua emoção brotando dos olhos na respeitosa homenagem.

O  show "Homenagem à Rainha da Voz”  contou com a presença da filha da homenageada, Dalva Lucia, a sobrinha Paula (filha do falecido cantor Pery Ribeiro) e outros familiares, além de nomes de destaque do show business, como o cantor Marcio Gomes, Jordanni Oliveira, Luiz Murillo Tobias( vice-presidente do Instituto Funjor), as cantoras Ellen de Lima e Vitoria Virtus, Silvinho Fernandes, José Antonio Paz Monteiro, Marcelo Souza , Conceição Nery, Sergio Maia, José Geraldo Ribeiro, Sandra Lima, Nana Stuart, Luiz Antonio Oliveira, Suzy Parker, Yeda Brown e muitos associados da Turma OK.

Ao final do espetáculo, artistas e o público presentes confraternizaram no salão onde foram servidos refrigerantes, bolos, salgados, doces e petiscos. Toda a renda líquida do espetáculo da noite de ontem será destinada para ações sociais e culturais da Fundação – que ampara profissionais que vivem da ARTE e tem o cunho de preservação cultural.

Durante o seu espetáculo, além de lembrar vários momentos que viveu ao lado de Dalva de Oliveira, LUCIENE FRANCO fez uma merecida homenagem ao se amigo, o cantor Márcio Gomes:
- Gente, eu cheguei a ficar afastada da carreira por quase vinte anos, envolvida em outras atividades. Recebia muitos convites para apresentações e resistia muito. E foi este querido Márcio que me fez voltar, após uma apresentação especial no Theatro Net Rio. Saiba, querido, Márcio, que a cada momento de emoção que vivo, quando eu vejo que canto novamente, eu penso em você e agradeço muito a sua especial dedicação à minha pessoa. Não teria voltado a cantar sem o seu incentivo. Te adoro meu amigo.

Em alguns momentos do espetáculo, Luciene lembrou algumas curiosidades da carreira de Dalva, Luciene lembrou alguns fatos curiosos, como o de ter gravado Cisne Branco, o hino oficial da Marinha, quando muitos pensam que a primeira gravação foi de Emilinha Borba, que tinha o título de Favorita da Marinha.

Ao iniciar a apresentação de Luciene, Luiz Murillo Tobias vez uma breve explanação sobre a Funjor, iniciada em 10 de outubro de 2000, com a participação de diversos artistas. Com o apoio de Nicette Bruno, Agnaldo Timóteo, José Messias e outros notáveis, a instituição deu origem ao Instituto FUNJOR - Associação dos Artistas e Amigos da Arte, com o objetivo principal de multiplicar a semente da solidariedade aos quem vivem de ARTE no Brasil. Apoiando jovens e experientes artistas, produtores e técnicos através de ações assistenciais, formação profissional e abertura de canais de trabalho.

O nome do cantor José Ricardo foi escolhido pelo seu trabalho artístico e social em vida.
No decorrer do semestre outros shows farão parte da agenda do “Jovens Tardes FUNJOR na Real Sociedade Clube Ginástico Português”, como o próximo espetáculo dedicado aos 100 anos de sambam, com as cantoras SELMA RIOS E BETH GUILHER.


A Estrela Dalva
DALVA DE OLIVEIRA nasceu no dia 5 de maio de 1917. Filha mais velha de Mário de Oliveira e Alice do Espírito Santo. Além dela, os pais tiveram mais três meninas, Nair, Margarida e Lila e um menino que nasceu com problemas de saúde e morreu ainda criança. Seu pai, que era conhecido na cidade pelo apelido de Mário Carioca, era marceneiro e músico nas horas vagas, tocava clarinete e costumava realizar serenatas com seus amigos músicos, chegando a organizar um conjunto para tocar em festas. A pequena Vicentina gostava de acompanhá-lo nessas serenatas. Viviam de forma bastante modesta e quando ela tinha apenas oito anos, sofreram um duro golpe familiar: Mário faleceu, deixando a esposa com quatro filhos para criar. Dona Alice resolveu, então, tentar a vida na capital paulista, onde arrumou emprego de governanta. Conseguiu vaga para as três filhas em um internato de irmãs de caridade, o Internato Tamandaré, onde Vicentina chegou a ter aulas de piano, órgão e canto. A menina ficou lá por três anos, até ser obrigada a sair, devido uma séria infecção nos olhos. Nessa ocasião, a mãe perdeu o emprego, pois os patrões não aceitaram a presença da menina. Dona Alice conseguiu emprego de copeira em um hotel e Vicentina passou a ajudá-la. Trabalhou então como arrumadeira, como babá e ajudante de cozinha em restaurantes. Depois, conseguiu um emprego de faxineira em uma escola de dança onde havia um piano.

Transferiram-se para o Rio de Janeiro em 1934, onde foram morar à Rua Senador Pompeu, numa "cabeça-de-porco", segundo a própria cantora. Nessa época, a família já estava novamente reunida pois as irmãs voltaram a morar com a mãe.

Casou-se com Herivelto Martins em 1937, com quem teve seus dois filhos, Pery e Ubiratã :o primeiro tornou-se cantor, sendo conhecido como Pery Ribeiro e o segundo trabalhou em televisão como "camera man" e depois produtor de programas televisivos, como o "Fantástico", da TV Globo.

Separou-se de Herivelto Martins em 1947, iniciando uma batalha de ofensas mútuas muito explorada pela imprensa da época. No início da década de1950, casou-se com o argentino Tito Clement, adotando uma menina, Dalva Lúcia. Foi morar com ele em Buenos Aires. Separaram-se em 1963, ano em que retornou ao Brasil. Casou-se depois com Manuel Nuno Carpinteiro, modesto rapaz muito mais moço que ela. Sofreu, ao lado de Nuno, grave acidente automobilístico em 1965, sendo obrigada a abandonar a carreira por alguns anos.

No início dos anos 1970, foi morar em uma confortável casa no bairro carioca de Jacarepaguá. Faleceu em 1972, vítima de hemorragia no esôfago.

Uma das grandes estrelas dos anos 1940, 1950 e 1960, sendo considerada uma das mais importantes cantoras do Brasil. Dona de uma poderosa voz, cuja extensão ia do contralto ao soprano, marcou época como intérprete. Iniciou sua carreira em São Paulo. Depois de terminar o serviço de faxina do salão de danças em que trabalhava, costumava cantar algumas músicas, tentando tirar melodias ao piano. Um dia, foi ouvida pelo maestro pianista, que a convidou para cantar numa "troupe", chefiada por Antônio Zovetti. "Era um cirquinho de tablado", segundo depoimento da cantora, que correu várias cidades de São Paulo, até chegar a Belo Horizonte, MG. Sua participação acontecia nos intervalos dos espetáculos, quando era anunciada como "A menina prodígio da voz de ouro". Sua mãe foi junto, a convite do próprio empresário. Foi nessa época que passou a usar o nome de Dalva, sugerido pela mãe, pois Zovetti achava que seu nome não era bom para uma cantora. Assim, passaram a anunciá-la como a "doçura de voz da menina prodígio: a estrela Dalva!"  Em Belo Horizonte aconselharam-na a fazer um teste na Rádio Mineira. Foi aprovada, mas, com a dissolução do Circo Damasco, voltaram a São Paulo. O maestro aconselhou sua mãe a ir para o Rio de Janeiro, dizendo que a menina tinha futuro e que na Capital Federal teria mais chances.

No Rio de Janeiro, empregou-se como costureira numa fábrica de chinelos, da qual um dos proprietários, Milton Guita, conhecido como Milonguita era diretor da Rádio Ipanema. Gostava de cantar enquanto trabalhava e Milonguita um dia a ouviu. Convidou-a, então, para um teste na Rádio Ipanema. Foi aprovada e logo depois transferiu-se para as Rádios Sociedade e Cruzeiro do Sul, onde cantou ao lado de Noel Rosa. Depois, passou pela Rádio Philips e finalmente conseguiu trabalho na Rádio Mayrink Veiga. Na época, Adhemar, diretor da rádio, levou-a para conhecer o maestro Gambardella, que apesar de achar que ela possuía potencial para tornar-se uma cantora lírica, aconselhou-a a manter-se como cantora popular. O maestro sabia que uma moça pobre dificilmente poderia seguir uma carreira que carecia de recursos e não tinha muito futuro no Brasil. Era carreira para quem havia nascido rica. Assim, sugeriu que ela utilizasse sua voz para o canto popular. Nessa época, foi chamada para trabalhar no teatro com Jayme Costa, fazendo pontas em operetas no Teatro Glória. Trabalhou na temporada popular da Casa de Caboclo, do Teatro Fênix, onde atuou ao lado de Jararaca e Ratinho, Alvarenga e Ranchinho, Ema D'Ávila, Diamantina Gomes e Antônio Marzullo. No mesmo período, trabalhou na Cancela, em São Cristóvão, num teatro regional onde ela apresentava números imitando a atriz Dorothy Lamour. Foi lá que conheceu Herivelto Martins,que atuava com o parceiro Nilo Chagas, formando a Dupla Preto e Branco. Ali, fez os primeiros números com a dupla. Logo depois, Herivelto Martins foi contratado para trabalhar no Teatro Fênix, de Pascoal Segreto, e propôs a ela que viesse cantar com ele e Nilo, formando então um trio. Começaram então um namoro. No início o trio chamava-se Dalva de Oliveira e a Dupla Preto e Branco. Foi César Ladeira que sugeriu que trocassem o nome para Trio de Ouro. Foram então contratados pela Rádio Mayrink Veiga e gravaram o primeiro disco em 1937, na Victor, com a batucada "Itaguaí" e a marcha "Ceci e Peri", ambas de autoria de Príncipe Pretinho. Na época em que gravaram o disco, estava esperando seu primeiro filho, e o público escrevia pedindo que, se fosse um menino, eles o batizassem de Pery, e, se fosse menina, Ceci. Foi o que aconteceu quando deu à luz ao futuro cantor Pery Ribeiro.

Em 1938, transferiram-se para a Rádio Tupi e para a gravadora Odeon lançando o samba-toada "Iaiá baianinha", de Humberto Porto e o "Batuque no morro", de Herivelto Martins, Humberto Porto e Ozon. No mesmo ano, o trio formado com a Dupla Preto e Branco passou a chamar-se Trio de Ouro. Em 1939, gravou na Columbia em dueto com Francisco Alves os sambas "Brasil!", de Benedito Lacerda e Aldo Cabral e "Acorda Estela!", de Benedito Lacerda e Herivelto Martins.

Em 1940, gravou seu primeiro disco solo, na Columbia, com acompanhamento de Benedito Lacerda e seu conjunto regional interpretando a marcha "Mesma história", de Benedito Lacerda e Herivelto Martins e a mazurca "Menina do vestido branco", de Príncipe Pretinho. Nesse ano, gravou em dueto com Castro Barbosa o samba "Tudo tem o Brasil", de Castro Barbosa, Dilermando Reis e Pedro Caetano. Em 1941, gravou em dueto com Francisco Alves a "Valsa da despedida", de R. Burns, em versão de João de Barro e Alberto Ribeiro. Na década de 1940 atuaram no Cassino da Urca e no Cassino Icaraí, onde conheceram Orson Wells de quem Herivelto Martins seria assistente de produção do filme inacabada "It's all true", de 1942. O cineasta muitas vezes dormiu, por estar bêbado, na casa do casal, que ficava na Av. São Sebastião, atrás do Cassino da Urca,conforme testemunhou Herivelto Martins ao crítico R. C. Albin.

Seus maiores sucessos com o Trio de Ouro foram os sambas "Praça Onze", de Herivelto Martins e Grande Otelo e "Ave-Maria no morro", de Herivelto, gravados em 1942, o primeiro com o Trio acompanhando Castro Barbosa. Em 1943, o Trio de Ouro gravou com sucesso "Laurindo", um samba de Herivelto Martins. Nesse ano, gravou sozinha na Odeon as marchas-rancho "Grande desilusão", de Jaime Florence e J. Morais e "Coração de mulher", de Humberto Porto e Mário Rossi com acompanhamento de Fon-Fon e sua orquestra.

Em 1944, participou do filme "Berlim na batucada", de Luís de Barros. Em 1945, gravou na Continental, com Carlos Galhardo e Os Trovadores, a adaptação de João de Barro para a história Branca de Neve e os Sete Anões, com músicas de Radamés Gnattali.  

Em 1947, obteve grande sucesso com o samba "Segredo", de Herivelto Martins e Marino Pinto, que de certa forma retratava as brigas com Herivelto Martins e que fariam seu casamento desmoronar. Lançou com acompanhamento de Chuca-Chuca e seu conjunto, em 1948, os sambas "Quarto vazio" e "Nossas vidas", de Herivelto Martins. Em 1949, separou-se de Herivelto Martins durante uma excursão à Venezuela com a Companhia de Derci Gonçalves e o Trio de Ouro se desfez. Ficou ainda naquele país, apresentando-se com o maestro Vicente Paiva, por mais um ano. Retornou ao Brasil em 1950, quando a gravadora Odeon a rejeitou, pois os produtores não acreditavam em sua carreira solo. Foi Vicente Paiva, na época um dos diretores artísticos da gravadora, que lhe deu seu aval, dizendo que se o samba "Tudo acabado", de J. Piedade e Osvaldo Martins não estourasse, ele se demitiria. O samba, de fato, foi um grande sucesso na voz dela, inaugurando uma duradoura batalha musical com Herivelto Martins, com os dois usando a música para se acusarem mutuamente pelo fracasso do casamento. Nessa polêmica musical destacaram-se, ainda o bolero "Que será", de Marino Pinto e Mário Rossi e o samba "Errei sim", de Ataulfo Alves, ambas gravadas em 1950 e que se constituiram em grandes sucessos. Ainda nesse ano, fez sucesso com o samba-canção "Ave Maria", de Vicente Paiva e Jaime Redondo, com acompanhamento de Osvaldo Borba e sua orquestra. Ainda na década de 1950 atuou nos filmes "Maria da praia", de Paulo Wanderley; "Milagre de amor" e "Tudo azul", ambos de Moacir Fenelon.

Em 1951, novamente com acompanhamento da orquestra de Osvaldo Borba, gravou os sambas "Rio de Janeiro", de Ary Barroso e "Calúnia", de Marino Pinto e Paulo Soledade. Nesse ano, fez sucesso com a marcha "Zum-zum", de Paulo Soledade e Fernando Lobo e com o samba "Palhaço", de Osvaldo Martins, Washington e Nelson Cavaquinho, que aparece no selo do disco apenas como Nelson. Nessa época, fez várias excursões ao exterior, apresentando-se no Uruguai, Argentina, Chile e na Inglaterra. Em Londres, cantou na festa de coroação da Rainha Elizabeth II, no Hotel Savoy, acompanhada pelo maestro Robert Inglis. No ano seguinte, esse repertório foi gravado em Londres, nos estúdios da Parlophone, com o maestro Inglis e sua orquestra. O nome de Inglis foi aportuguesado para Inglês, a fim de facilitar sua comercialização no Brasil. No elepê, eles recriaram clássicos brasileiros como: "Tico-tico no fubá", "Aquarela do Brasil", "Bem-te-vi atrevido" e "Na Baixa do Sapateiro", além de vários outros sucessos.

Em 1952, fez sucesso com a marcha "Estrela do mar", de Marino Pinto e Paulo Soledade e gravou também o samba "Vai na paz de Deus", de Ataulfo Alves e Antônio Domingues e a marcha-rancho "Mulher", e Marino Pinto e Paulo Soledade. Ainda nesse ano,  lançou novos sucessos, "Kalu", um baião de Humberto Teixeira e "Fim de comédia",  samba de Ataulfo Alves e foi eleita Rainha do Rádio, além de excursionar pela Argentina, apresentando-se na Rádio El Mundo, de Buenos Aires. Foi nessa ocasião que conheceu o empresário Tito Clemente, seu futuro marido.

Em 1955, gravou sem muito sucesso os sambas-canção "Eterna saudade", de Genival Melo e Luiz Dantas e "Não pode ser", de Marino Pinto e Mário Rossi; o tango "Fumando espero", de Villadomat e Garson, com versão de Eugênio Paes; a valsa "Quinze primaveras", de Solovera e Ghiaroni; a marcha "Carnaval, carnaval", de Kléscius Caldas e Armando Cavalcânti e o samba "Foi bom", de Marino Pinto e Haroldo Lobo.

No ano seguinte, lançou os sambas-canção "Teu castigo", dos ainda iniciantes Antônio Carlos Jobim e Newton Mendonça e "Neste mesmo lugar", da já então consagrada dupla Kléscius Caldas e Armando Cavalcanti. Nesse mesmo ano, gravou os tangos "Lencinho querido", de Filiberto, Peña Losa e Maugéri Neto e "Confesion", de Discepolo e Amadori, com versão de Lourival Faissal, reforçando sua imagem de cantora de músicas românticas, especialmente o tango, gênero em que se saiu excepcionalmente bem.

Em 1957, gravou com acompanhamento de Léo Perachi e sua orquestra o bolero "Nada", de Marino Pinto e David Raw e o samba-canção "Prece de amor", de René Bittencourt. Nesse ano, fez sucesso com o samba-canção "Há um deus", de Lupicínio Rodrigues com orquestração e piano de Antônio Carlos Jobim e acompanhamento de sua orquestra. Gravou na mesma época o samba "Eu errei, confesso", de Klécius Caldas e Armando Cavalcânti que de certa forma retomava as querelas de sua separação de Herivelto Martins. Do então marido Tito Clement gravou o samba-canção "Intriga", parceria com o sambista Sinval Silva e a toada "Sonho de pobre".

Em 1958, gravou do filho Pery Ribeiro o samba-canção "Não devo insistir", parceria com Dora Lopes. Nesse ano, lançou o LP "Dalva de Oliveira", no qual interpretou músicas de dos mais diferenciados compositores, incluindo "Copacabana beach", de Klécius Caldas e Armando Cavalcânti; "Não tem mais fim", de Hervê Cordovil e Renné Cordovil; "Folha caída", de Humberto Teixeira; "Intriga", de Sinval Silva e Tito Clement e "Testamento", de Dias da Cruz e Cyro Monteiro. No ano seguinte, gravou dois discos destinados às festividades do Dia das mães, as valsas "Minha mãe, minha estrela", de Rubem Gomes e Luiz Dantas e em dueto com Anísio Silva, "Amor de mãe", de Raul Sampaio e "Minha mãe", de Lindolfo Gaya sobre poema de Casemiro de Abreu. Gravou no mesmo ano a canção "Velhos tempos", do iniciante compositor Carlinhos Lyra, parceria com Marino Pinto. Lançou também o LP "Dalva de Oliveira canta boleros", com canções como "Lembra", de Tito Clement; "Sábias palavras", de Mário Rossi e Marino Pinto; "Vida da minha vida", de Antônio Almeida e "Finalmente", de Marino Pinto e Jota Pereira.

Em seguida, gravou as músicas "Quando ele passa", Oswaldo Teixeira, "Enquanto eu souber", de Esdras Silva e Ribamar; "Dorme", de Ricardo Galeno e Pernambuco e "Meu Rio", de Tito Clement, entre outras, incluídas no LP "Em tudo você", lançado pela Odeon em 1960. No ano seguinte, lançou outro LP apenas com tangos, entre os quais, "El dia em que me quieras", de Ghiaroni, Le Pera e Carlos Gardel e "Fumando espero", de Eugênio Paes, Garzô e Villadomat. Lançou também outro LP, com apenas seu nome como título, e que incluiu seus grandes sucessos "Ave Maria no morro", de Herivelto Martins, "Segredo", de Marino Pinto e Herivelto Martins, "Estrela do mar", de Marino Pinto e Paulo Soledade e "Que será", de Mário Rossi e Marino Pinto.

Em 1962, gravou os boleros "Nem Deus, nem ninguém", de Roberto Faissal e "Sabor a mim", de Alvaro Carrillo e versão de Nazareno de Brito. Também nesse ano, gravou no pequeno selo Orion os sambas-canção "Arco-íris", de Marino Pinto e Paulo Soledade e "Amor próprio", de Marino Pinto e Carlos Washington. Gravou também o LP "O encantamento do bolero" do qual fazem parte "Minha oração", uma versão de Cauby de Brito; "Nem Deus nem ninguém", de Roberto Faissal; "Tu me acstumaste", de F. Domingues e "E a vida continua", de Jair Amorim e Evaldo Gouveia.

Em meados dos anos 1950, fixou residência em Buenos Aires, só retornando em 1963, mas onde gravaria, com sucesso, alguns tangos, logo editados no Brasil, entre os quais "Lencinho Branco", que foi muitíssimo executado, sendo um campeão de venda de discos. A cantora vinha sempre ao Rio de Janeiro, para temporadas artísticas em rádios e teatros.

No ano de seu regresso ao Brasil, lançou o LP "Tangos volume II", e que trazia tangos como "Estou enamorada", de José Marquez e Oscar Zito, com versão de Romeu Nunes e "Vida minha", com versão de Cauby Peixoto.

Em 1965, lançou o LP "Rancho da Praça Onze", cuja música título, de Chico Anysio e João Roberto Kelly foi um dos destaques do ano. No mesmo disco estavam "Hino ao amor", versão da música de Edith Piaf; "Junto de mim", de Alberto Ribeiro e José Maria de Abreu, "Fracasso", de Fernando César e Nazareno de Brito e "Ser carioca", de Fernando César. Dois nos depois lançou o LP  "A cantora do Brasil"que marcou seu retorno ao disco após o afastamento provocado pelo acidente. Nesse disco, gravou a marcha "Máscara negra", de Pereira Matos e Zé Kéti, um dos maiores sucessos de sua carreira e que foi uma das mais executadas no carnaval daquele ano, tendo conquistado o 1º lugar no concurso de músicas para o carnaval criado naquele ano pelo MIS do Rio.

Em 1968, lançou o LP "É tempo de amar", com destaque para "Andorinha", de Sílvio Caldas, "Pela décima vez", de Nole Rosa, "Tudo foi surpresa", de Peterpan e Valzinho, "Tem mais samba", de Chico Buarque de Holanda , "Aves daninhas", de Lupicínio Rodrigues e "Marcha da quarta-feira de cinzas", de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes. Lançou em 1970 aquele que acabaria sendo seu último LP e cuja música título, de autoria de Laércio Alves e Max Nunes, constituiu-se em enorme sucesso, "Bandeira branca", um marco em sua carreira. Do LP faziam parte ainda "Estão voltando as flores", de Paulo Soledade; "Primavera no Rio", de João de Barro, "Pequena marcha para um grande amor", de Juca Chaves e "Meu último luar", de Waldemar Henrique. Ao final deste mesmo ano, prestou histórico depoimento para o Museu da Imagem e do Som, cujos trechos podem ser ouvidos no LP-homenagem editado logo depois de sua morte pela Odeon. Em 1971, apresentou-se no Teatro Tereza Raquel no Rio de Janeiro. No fim da carreira, apresentou-se em vários programas de televisão. Em 1972, apresentou-se no antigo Teatro Casa Grande, ao lado de Leila Diniz e do comediante baiano Silvio Lamenha, que a imitava, peteticamente, em cena, exibindo seus conhecidos trinados agudos. Em 1987, teve sua vida interpretada pela atriz Marília Pera na peça "A estrela Dalva", de João Elísio e Renato Borghi.

Em 1988, o selo Revivendo relançou o LP gravado em Londres com Roberto Inglês. Em 1997, Roberto Menescal produziu o álbum "Tributo à Dalva de Oliveira", reunindo vários artistas, tais como Elba Ramalho, Sidney Magal, Joanna, Cauby Peixoto, Lucho Gatica e Eduardo Dusek. Ainda em 1997, a EMI lançou o álbum "A Rainha da Voz", com quatro CDs, contendo suas gravações mais expressivas, num total de 80 músicas.

Em 2000, o LP gravado com Roberto Inglês foi lançado em CD pelo selo Revivendo e mereceu na época as seguintes considerações do crítico Tárik de Souza: ""a difusão planetária da MPB ensaiava seus (com) passos uma década antes da bossa nova". Apesar de estilizar os sambas e choros num ritmo que está mais para o mambo, ou outros ritmos latinos, o elepê de Dalva de Oliveira com Roberto Inglês pode ser visto como um difusor da MPB no mundo. No mesmo ano, a EMI dentro da série "Bis", lançou o Cd duplo "Dalva de Oliveira", com 28 interpretações marcantes da cantora. Em 2001, seu filho Pery Ribeiro colocou a voz na música "Que sabes tu" gravada por ela em 1965, raças a recursos tecnológicos fazendo assim um histórico e inédito dueto entre mãe e filho. Em 2002, Pery apresentou um tributo à mãe no teatro Estácio de Sá, campus Antônio Carlos Jobim, na Barra da Tijuca. O espetáculo obteve sucesso e ficou várias semanas em cartaz.

Em 2003, a EMI/Odeon relançou na série "10 polegadas Odeon" seus LPs "A voz sentimental do Brasil", de 1953 e "Dalva de Oliveira com Roberto Inglez e sua orquestra", de 1955, colocados em um único CD. Considerada por Maria Betânia como a melhor cantora do Brasil. Em 2006, foi lançado pelo selo Revivendo o CD duplo "Canta Dalva" contendo 42 gravações originais da cantora incluindo sucessos como "Estão voltando as flores", de Paulo Soledade, "Marcha da quarta-feira de cinzas", de Carlos Lyra e Vinicíus de Moraes, "Chuva de prata", de Zé Ketti, "Estrela do mar", de Marino Pinto e Paulo Soledade, "Maria escandalosa", de Klécius Caldas e Armando Cavalcanti, "Porta estandarte", de Geraldo Vandré e Fernando Lona, "Zum zum", de Fernando Lobo e Paulo Soledade, e "Pequena marcha para um grande amor", de Juca Chaves, entre outras, além das clássicas marchas-rancho "Rancho da Praça Onze", de João Roberto Kelly e Chico Anísio, "Máscara negra", de Zé Ketti e H. Pereira Mattos, e "Bandeira branca", de Max Nunes e Laércio Alves. No mesmo ano, foi publicado por seu filho, Pery Ribeiro, em parceria com a mulher,  Ana Duarte, o livro "Minhas duas estrelas: Uma vida com meus pais Herivelto Martins e Dalva de Oliveira", lançado pela editora Globo, no qual ele contou a biografia dos pais. Em 2010, foi levada ao ar pela TV Globo a micro série "Dalva e Herivelto, uma canção de amor" retratando a intensa relação vivida pelos dois artistas. Escrita por Maria Adelaide Amaral, a micro série contou com as participações de Adriana Esteves e Fábio Assunção nos papéis principais. Retratando um período que vai dos anos 1930 até 1970, quando da morte da cantora, a micro série retratou ainda diversos ídolos do Rádio tais como Marlene, (vivida pela atriz Rita Elmôr), Emilinha Borba (Soraya Ravenle), as irmãs Linda (Cláudia Netto) e Dircinha Batista (Luciana Fregolente), Francisco Alves (Fernando Eiras) e Orlando Silva (Édio Nunes), além de Nilo Chagas, integrante da primeira formação do Trio de Ouro e vivido pelo ator Maurício Xavier. Em 2012, foi lançado, dentro da série "Super Divas", projeto do pesquisador Rodrigo Faour, um CD com gravações suas registradas entre os anos 1940 e 1970, quase todas inéditas em CD. Em 2017, por ocasião do centenário de seu nascimento foi homenageada com o lançamento de sua biografia de autoria do pesquisador Paulo Henrique Lima, fruto de oito anos de pesquisa. Também um filme, em versões de curta e longa metragens estava sendo concluído pelo neto, filho de Peri Ribeiro, para a celebração dos cem anos, bem como uma exposição no Instituto Cultural Cravo Albin, com curadoria do biógrafo Paulo Henrique de Lima.