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quarta-feira, 3 de maio de 2017

Exposição de Antonio Guerreiro reúne várias gerações de admiradores na Lagoa

Testemunhos de uma época gloriosa e esquisita, quando o pó e a purpurina das boates brilhavam no chumbo dos canhões militares, fim dos anos 60 e começo dos 80 – em que ele já era considerado o maior fotógrafo do país, nos quesitos moda, personalidades e nus, além dos cliques das mais belas mulheres, ANTONIO GUERREIRO reuniu ontem centenas de amigos e admiradores, na abertura da mostra “MENINAS DO RIO”, em exposição no Bar Lagoa, convidado por seu particular amigo, Omar Catito Perez.

Entre artistas, modelos, músicos, cineastas, escritores, políticos, colunáveis e, sobretudo, mulheres sensacionais, não houve ser importante que não tivesse passado pelas lentes do fotógrafo. Seu arquivo é fundamental para entender a memória cultural do país e ontem à noite a admiração pelo seu trabalho foi documentada pela grande maioria dos convidados, que faziam questão de reproduzir em seus celulares e câmeras, as notáveis retratadas por Guerreiro. Estavam presentes também algumas das figuras retratadas pelo profissional, como Cristiane Torloni, Gisela Amaral e a cantora Hanna.


A mostra ficará aberta ao público durante todo o mês de maio e a novidade, cópias dos trabalhos de Guerreiro estarão à venda, pelo módico preço de R$ 1.800 cada foto.

Entre as dezenas de amigos que circulavam ontem no Bar Lagoa em torno de Guerreiro destacavam-se o empresário e sócio Ricardo Amaral, o jornalista e escritor Joaquim Ferreira dos Santos, com sua mulher, Lilian Sapucahy, os fotógrafos Thereza Eugenio, Marcos Ramos, Fernando Quevedo e Daniel Laun, o colunista Franklin Toscano, as atrizes Cristine Torloni, Terezinha Sodré e Vera Vianna, o cineasta Luiz Carlos Lacerda, (o Bigode), a promoter Ana Maria Tornaghi, Juliana Voltal, a produtora de marketing e divulgadora Rô Nascimento, os atores Carlos Vonpinaz Barreto e Jarbas Fontinelle, Meg Rios, Lielzo Azambuja, Maria Tereza Freire, Rejane Bueno Guerra, Pedrinho Aguinaga, Irce Brito, a comandante de navio Sheila Aragão de Andrade, a atiz Katia DÁngelo e o cartunista Chico Caruso.



VIDA MOVIMENTADA
Nascido em Madri em 1947, viveu a infância no Marrocos e chegou aqui com 5 anos: o pai, um milionário industrial português (inventou as figurinhas de futebol nas balas e os chocolates em forma de guarda-chuva), estabeleceu-se em Juiz de Fora (MG). Aos 14, Guerreiro foi para o Rio, viver na mesma cobertura do Leme que é hoje seu lar. Em 1966, aos 19 anos, estudante de economia, namorou uma baiana herdeira de fazendas de cacau – registrando-a de brincadeira com uma Rolleiflex percebeu que tinha dom para o clic. Começou a fotografar o “antes” e o “depois” das patricinhas numa escola preparatória para o high society, depois as putas da Lapa – nisso conheceu Daniel Más, um dos colunistas mais ferinos de então. Blow up, de Antonioni, havia sido recém-lançado: o colunista Jacinto de Thormes escreveria mais tarde que era Guerreiro, não David Hemmings, quem deveria ter interpretado o fotógrafo de moda perseguido por beldades. A dupla Más–Guerreiro ficou famosa pelos escandalosos textos e fotos sensacionais das socialites publicados numa coluna no jornal Correio da manhã, o que faz o fotógrafo David Drew Zingg convocá-los para a revista Setenta, da Abril. Em apenas seis números, a publicação marcou o nascimento da fotografia de moda brasileira. Com o fim da revista, Guerreiro abriu um estúdio no andar superior do bar Zeppelin – e na frente do fotógrafo cabeludo e bonitão desfilava toda a Swingin’ Ipanema. Já seria chique no último se um belo dia o playboy não recebesse um convite de Adolfo Bloch, dono da Manchete para ser o fotógrafo da editora em Paris por dois anos. Na volta ao Rio, abriu um estúdio ao lado da TV Globo, o Zoom, que passou a ser o epicentro da fauna local. Fotografou para Manchete e Vogue, a Globo, as agências de publicidade e a indústria musical – enfileirou mais de 70 capas, como a clássica Índia, de Gal Costa – e cinematográfica – tipo o cartaz de Eu te amo, com Sônia Braga. A seguir abriu seu plano de dominação sobre as grandes mulheres dos anos 70. Viveu com a socialite Ionita Salles Pinto (ex-Jorginho Guinle) e na seqüência casou-se com Sônia Braga.

Guerreiro inaugurou no Catete o lendário Studium, que funcionou de 1975 a 1990 e onde recebia as musas com champanhe. Cansado de as vestir nos editoriais de moda, o bon-vivant passou a despi-las para ensaios sensuais pioneiros, quando se tornou o principal fotógrafo da Playboy. Concebia produções espetaculares com musas como Sônia Braga, Maria Zilda, Vera Fischer, Bruna Lombardi, Denise Dumont (que namorou), Sandra Bréa (com quem foi casado logo depois de Sônia). “A única pessoa que eu gostaria de ter clicado e não consegui foi o Roberto Carlos”, lamenta.

Por: Luiz Carlos Lourenço
Fotos: Carlos Vonpinaz, Menbrenz Menbrenz e arquivo pessoal