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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Uma rua e suas mutações


Foto: Léo Guerreiro / Fototeca Sioma Breitman 
Com 245 anos, a Rua da Praia é a mais antiga da Capital


Já mudou mais de cara do que de nome em seus 245 anos. Assim é a nossa Rua da Praia, a mais antiga de Porto Alegre, do tempo em que reunia apenas casebres cobertos de palha. Começou dividida em duas partes e com dois nomes: Rua da Praia, do Guaíba até a altura da atual General Câmara, e Rua da Graça, no trecho restante. Em 1865, a Câmara Municipal, para comemorar o aniversário da Independência (7 de setembro), decidiu mudar para Rua dos Andradas.

Na verdade, a rua, que é uma das principais referências da capital gaúcha, vem convivendo, ao longo de décadas, com dois nomes, um oficial, com CEP dos Correios, e outro popular, muito embora não tenha qualquer praia em seu percurso. A propósito disso, o viajante Annibal Amorim (1876-1936), que por aqui esteve no início do século passado, escreveu: "Em Porto Alegre, cada rua tem dois nomes: um popular e outro municipal. É uma confusão diabólica para o recém-vindo. A dos Andradas é a mais importante. É mesmo a via pública da moda".

Há muito tempo que deixou de ser a rua da moda. Depois de contar com as melhores lojas da cidade, reunir os principais cinemas, livrarias, bancos, confeitarias, cafés e restaurantes, a Rua da Praia aos poucos foi perdendo o seu charme, a ponto de estar hoje irreconhecível. As mutações foram em todos os aspectos, a começar pelo calçamento, já trocado diversas vezes, sofrendo constantes remendos.

Um dos últimos registros da belle époque da Rua da Praia foi feito pelo jornalista Flávio Carneiro, há 60 anos, na reportagem publicada pela Revista do Globo, em 1957.

Uma das mais importantes cantoras da música popular brasileira, Angela Maria se apresenta pelo Brasil cantando os sucessos que colecionou ao longo dos seus 67 anos de carreira. Dia 1° de fevereiro será a vez do Theatro Net Rio receber essa grande artista. Ela se apresentará no projeto Jovens Tardes, da produtora Brain +, que leva ícones da nossa música para cantar em matinês semanais durante o verão.

Em forma física e vocal plena, a cantora que é considerada por muitos a Rainha da Música Popular Brasileira, continua com sua vida artística totalmente ativa. Em 2015 lançou o disco "Angela à vontade em voz e violão" e se apresentou em mais de 30 cidades brasileiras levando este projeto.  Em 2016 lançará pela gravadora Biscoito Fino um novo álbum dedicado às canções de Roberto e Erasmo.

Ângela Maria, nome artístico de Abelim Maria da Cunha (Conceição de Macabu, 13 de maio de 1928), começou cantando em coro de Igreja. Enquanto trabalhava numa fábrica de lâmpadas, participava, às escondidas, de programas de calouros. Adotou o nome de Ângela Maria para não ser identificada pela família. Como ganhava todos os concursos, foi cantar no famoso Dancing Avenida e depois na rádio Mayrink Veiga. Em 1951 gravou o primeiro disco.

Consagrou-se como uma das grandes intérpretes do gênero samba-canção (surgido na década de 30), ao lado de Maysa, Nora Ney e Dolores Duran. Gravou mais de 100 discos (recorde que consta no "Guiness Book") e dezenas de sucessos como "Não Tenho Você", "Babalu", "Cinderela", "Moça Bonita", "Vá, mas Volte", "Garota Solitária", "Falhaste coração", "Canto paraguaio", "A noite e a despedida", "Gente humilde", "Lábios de mel".

Um dos grandes momentos de sua carreira foi em 1996, quando lançou o CD Amigos, com a participação de vários artistas como Roberto Carlos, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gal Costa, Djavan, Milton Nascimento, Nana Caymmi, Chico Buarque, entre outros. O trabalho foi um sucesso, celebrado num espetáculo no Metropolitan, atual Claro Hall (Rio de Janeiro) e um especial na Rede Globo. O disco vendeu mais de 500 mil cópias.

Foi uma fase muito feliz da carreira da cantora que, no ano seguinte, apresentou o álbum Pela Saudade que Me Invade, com sucessos de Dalva de Oliveira, e um ano depois gravou, com Agnaldo Timóteo, o CD Só Sucessos, também na lista dos cem álbuns nacionais mais vendidos. Após a saída da Sony, Ângela voltou a gravar em 2003, desta vez pela Lua Discos, o Disco de Ouro, com um viés eclético, abrangendo compositores que vão de Djavan a Dolores Duran e o premiado álbum "Eu Voltei" (2011).


Reportagem publicada pela Revista do Globo Foto: DIVULGAÇÃO / REPRODUÇÃO DE O GLOBO


Com o título "Uma rua chamada da Praia", traz este tópico sobre a presença feminina: "As mulheres, ah, as mulheres! Elas são a vida da nossa famosa rua. Desfilam nos seus melhores trajes, durante horas, assistidas por batalhões de homens que se postam pelas calçadas e no meio da rua, com olhos curiosos e exigentes".

A Rua da Praia está presente na literatura gaúcha. Praticamente todos os poetas e cronistas já se ocuparam dela; Dyonélio Machado e Erico Verissimo a frequentaram com seus personagens; Renato Maciel de Sá Jr. falou de seu anedotário; o compositor Alberto do Canto homenageou-a com uma música; Nilo Ruschel e, mais recentemente, Rafael Guimaraens (Libretos) dedicaram-lhe livros.

Enfim, a nossa Rua da Praia, apesar de tudo, continua com vida própria e com sentimentos.

Reprodução, ZH - Zero Hora-RS