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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

AMIGOS UNIDOS EM ORAÇÃO RECORDARAM QUE HÁ UM ANO MARÍLIA PERA SEGUIU PARA A ETERNIDADE



De Luiz Carlos Lourenço 
Fotos de Daniel Marques 

Cerca de 60 pessoas, entre parentes e amigos próximos de MARÍLIA PERA, reuniram-se no início da noite de ontem na Igrejinha de Nossa Senhora de Copacabana, anexa à Igreja da Ressurreição, orando pela passagem de um ano de sua ida para a Pátria Espiritual, numa celebração católica conduzida pelo pároco José Roberto Rodrigues Devellard que recordou algumas passagens curiosas da atriz.
 A missa foi realizada em caráter muito reservado, onde o único profissional da mídia brasileira integrava a equipe do Blog do Lourenço, representado por este jornalista e o fotógrafo Daniel Marques. Não havia mais nenhuma emissora de radio, jornal, TV, colunista ou representante de rede social presente à celebração.

 Como é de seu hábito, o monsenhor Roberto escolheu as palavras apropriadas para as diversas ocasiões e lembrou uma passagem da atriz em sua própria paróquia num momento marcante de sua vida paroquial: a missa de sétimo dia em memória do cantor Gonzaguinha, quando a atriz Marília Pera fora convidada a ler a epístola da missa, e a Marília desculpou-se porque não trouxera os óculos.

“Se o reverendo Monsenhor, permitisse, ela dirigiria algumas palavras em homenagem ao falecido”. A palavra lhe fora concedida pelo reverendo Monsenhor José Roberto. Eis que a atriz Marília Pera dirigiu-se ao púlpito e começou a tecer uma elegia em homenagem ao cunhado falecido. Segundo o Monsenhor José Roberto, foram palavras tão lindas e tão fortes, a plateia começou a chorar incluindo o próprio religioso ", relembrou.


 Conhecido como o “anjo da Praia do Arpoador” o sacerdote utiliza palavras tão fortes que atraem fiéis de vários lugares do Rio de Janeiro! São vocábulos vibrantes proferidas com maestria, pois ele não utiliza gritos ou gestos ousados e de efeito à moda dos evangélicos neo-pentecostais... Nada disto! São frases iluminadas, carinhosamente proferidas por um pai espiritual de todos.”.

  Durante seu sermão, Padre Roberto também recordou o escritor Rollo May e alguns trechos do seu livro “O Homem à Procura de Si Mesmo”, cujo autor ficou conhecido como um dos psicólogos mais lidos do mundo por sua experiência clínica bem sucedida.
Ele também auferiu fama como escritor por sua sensibilidade fora do comum, facilmente reconhecida em seus textos através da sua simplicidade e clareza de expressão.

A temática principal do livro fala a respeito da solidão e ansiedade do homem moderno, que inclusive é título do primeiro capítulo, implicando a ideia de que este homem vem enfrentando de forma aguda as problemáticas das mais variadas incertezas acrescidas pela atual sociedade em processo de transformação.


Com base nos comportamentos expositivos cada vez mais comuns nas redes sociais, onde ser visto e validado, é garantia de ser amado e aceito. A liberdade de expressão, bem como a confissão de fragilidade inerente a todos os seres humanos, na maioria das vezes não tem seu espaço. Ações ligadas a esses exemplos podem oferecer ameaça à imagem saudável, bonita forte e bem sucedida que a vaidade social exige.

 O sacerdote lembrou que a autoconsciência está no centro do processo de realização das potencialidades que fazem do ser humano uma pessoa “… ela constitui os rudimentos da capacidade de amar ao próximo, ter sensibilidade ética, considerar a verdade, criar a beleza, dedicar-se a ideias e morrer por eles, caso necessário.” 


Da infância para maturidade, a coragem é virtude indispensável para cruzar o abismo do não saber de si. A escravidão do medo de agir segundo suas convicções se sobrepõe à coragem de lidar com o risco de ser rejeitado pelo grupo. Segundo o autor, esse grupo ou massa social, simbolizam o útero materno – e tornar-se uma pessoa independente é como sentir as dores do próprio renascimento.

Rollo May mostra neste livro que: a liberdade não aparece como num passe de mágica, ela é conquistada gradativamente, e basicamente, para que isso aconteça é necessário escolher a nós mesmos como provedores, assumindo ainda, responsabilidade por nossa própria existência. Aqui, não importa a época em que vivemos, nem tampouco nossa idade, o que realmente importa são nossas capacidades de alcançar a liberdade interior e viver com integridade.


 Entre as muitas pessoas diretamente ligadas a MARILIA PERA que estiveram na missa de um ano de seu passamento, podiam ser vistos o jornalista, escritor, colunista, produtor musical, diretor e compositor Nelson Motta, com quem ela foi casada de 1972 a 1987, período em que tiveram duas filhas, Esperança e Nina Morena, a irmã de Marília, a atriz e cantora Sandra Pera, sua filha Amora, a escritora e acadêmica Nélida Pinon, as cantoras e atrizes Dhu Moraes, Regina Chaves, Bia Nunes e Betina Vianny, o ator e diretor Nei Latorraca, o argentino Jorge Iglesias, que no Brasil notabilizou-se com o personagem Isabelita dos Patins e o cantor e compositor Felipe Dilon.

Na missa, a cantora Amora, muito emocionada, cantou a oração de São Francisco e entoou a canção Têmpora, pouco conhecida do grande público( só gravada por Simone), de autoria de Luiz Gonzaga Jr, o Gonzaguinha, seu pai.



Eis a bela  canção:

TÊMPERA

As deusas têm é tempera
Pura energia e têmpera
pura magia e têmpera
Temperatura

E paixão
É que as mulheres sempre estão
É que as mulheres sempre dão
É que as mulheres sempre são
Sempre serão

A chave do seu tempo
O charme de uma etapa
O tapa na acomodação
O vírus da alegria
O amor e o nó da solidão
O brilho e a explosão da estrela
Alimentando os corações
Têmpera

  Ao proferir algumas palavras de improviso sobre a irmã, a atriz Sandra Pêra falou que havia sonhado com Marília na noite passada e que " ela estava voltando". Disse que sua irmã sempre foi presente em todos os momentos de sua vida, desde a depilação de suas sobrancelhas até a escolha de suas roupas. "Marília era tudo, minha mãe, minha família, minha vida, cheirosa, organizada, amiga, birrenta, ciumenta mas que nunca deixava de dizer que me amava muito. Tenho todos os seus retratos, bilhetes, cartas, presentes, mas a grande dor é que eu não a tenho mais aqui. Não me preparei para perdê-la. Mas sei que não sou a única nesta dor, vocês todos devem sentir o que eu sinto. Agora Marília não está mais aqui, mas é agora parte da história deste país", disse, quase soluçando.  


 Já Jorge Iglesias, a Isabelita dos Patins, contou a este jornalista que, durante a manhã tinha ido ao cemitério São João Batista colocar flores na sepultura de Marília, que já estava enfeitado com outras flores brancas. Ao se aproximar para colocar seu ramo de rosas, ele notou que um beija flor se aproximou do túmulo e ficou dando voltas em círculos sobre as flores, sem se preocupar com a sua presença. A situação o deixou bastante emocionado.

CARREIRA NOTÁVEL 

A atriz, cantora, bailarina, coreografa, diretora e produtora Marília Pêra morreu às 6h de um sábado, há um ano atrás, no dia 5 de dezembro, no bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro, aos 72 anos. A atriz, que lutava contra um câncer de pulmão havia 2 anos, morreu em casa, ao lado da família. Ela deixou os filhos Ricardo Graça Mello, Esperança Motta e Nina Morena. Seu ultimo companheiro, Bruno Faria, ontem não compareceu à missa por motivos particulares.

Marília era uma das artistas mais completas do Brasil: além de interpretar, era cantora, bailarina, diretora, produtora e coreógrafa. Trabalhou em mais de 50 peças, quase 30 filmes e cerca de 40 novelas, minisséries e programas de televisão. Um dos últimos trabalhos da atriz foi sua participação na série "Pé na Cova', da TV Globo, onde interpretava a personagem Darlene.



Marília Soares Pêra nasceu em 22 de janeiro de 1943, no bairro do Rio Comprido, no Rio. Sua primeira entrada em cena aconteceu quando ainda era bebê, fazendo figuração numa peça, informa seu perfil no Memória Globo. Aos quatro anos de idade, ela atuou com os pais no espetáculo “Medeia”. Sua irmã mais nova, Sandra Pêra, também é atriz e cantora.
 Entre os 14 e os 21 anos, Marília atuou como bailarina em musicais. Quando tinha 18, viajou por Brasil e Portugal com a peça “Society em baby-doll”. Outro destaque foi “Como vencer na vida sem fazer força”, trabalhando ao lado de Procópio Ferreira, Moacyr Franco e Berta Loran.

Em 1965, Marília foi contratada pelo diretor Abdon Torres para integrar o elenco inicial da TV Globo. Nessa época, fez o papel principal das novelas “Rosinha do sobrado”, “Padre Tião” e “A moreninha”.
Após um período fora da TV Globo, no qual atuou em “Beto Rockfeller” (1968), da TV Tupi, ela foi convidada a voltar por Daniel Filho, em 1971 – viveu Shirley Sexy em “O cafona”, que a tornou ainda mais conhecida. Na sequência, vieram “Bandeira 2” (1971-72) e “Supermanoela” (1974). A partir daí, afastou-se das novelas por oito anos, até aparecer em “O campeão” (1982), exibida pela TV Bandeirantes.

Entre os trabalhos favoritos na TV, no entanto, Marília escolhia duas minisséries: “O primo Basílio” (1988), em que interpretou a vilã Juliana, e “Os Maias” (2001), em que interpretou Maria Monforte.  Na minissérie “JK", fez a ex-primeira dama do Brasil Sarah Kubitschek.
Já na década de 1990, Marília atuou nas novelas “Lua cheia de amor” (1991) e “Meu bem querer” (1998). Outros trabalhos mais recentes foram em “Começar de novo” (2004); “Cobras & Lagartos” (2006), como a falida, mas ambiciosa, Milu; “Duas caras” (2007), como a alienada Gioconda.


Antes de “Pé na cova”, a amizade com Miguel Falabella já havia rendido papéis no seriado “A vida alheia” (2010), no filme “Polaroides urbanos” (2008) e na novela “Aquele beijo” (2011), todos escritos por ele.
Ao longo de uma carreira que durou praticamente toda sua vida, Marília Pêra destacou-se ainda no cinema. Estrelou filmes como “Pixote, a lei do mais fraco” (1980), “Bar Esperança” (1983), “Tieta do agreste” (1995) e “Central do Brasil” (1996) e “O viajante” (1998).

No teatro, ganhou duas vezes o Prêmio Molière: em 1974, por “Apareceu a Margarida”, e em 1984, por “Brincando em cima daquilo”. Como diretora, esteve por trás de uma das peças de maior sucesso do país, Após um período fora da TV Globo, no qual atuou em “Beto Rockfeller” (1968), da TV Tupi, ela foi convidada a voltar por Daniel Filho, em 1971 – viveu Shirley Sexy em “O cafona”, que a tornou ainda mais conhecida. Na sequência, vieram “Bandeira 2” (1971-72) e “Supermanoela” (1974). A partir daí, afastou-se das novelas por oito anos, até aparecer em “O campeão” (1982), exibida pela TV Bandeirantes.
O retorno às novelas da Globo aconteceu apenas em “Brega & Chique” (1987). Na pele de Rafaela, fez bastante sucesso por sua parceria com Marco Nanini. Anos depois, Marília diria que essa foi a novela que mais gostou de fazer. Ela voltaria a interpretar Rafaela no remake de “Ti-Ti-Ti” (2011), escrito por Maria Adelaide Amaral.


Além disso, nos palcos interpretou Carmen Miranda em diversas ocasiões – “O teu cabelo não nega” (1963), “A pequena notável” (1966), “A tribute to Carmen Miranda” (1975), apresentada em Nova York, “A Pêra da Carmem” (1986 e 1995) e “Marília Pêra canta Carmen Miranda” (2005). Outras estrelas vividas por Marília foram Dalva de Oliveira, no musical “A estrela Dalva” (1987); Maria Callas, na peça “Master Class” (1996) e a estilista “Coco Chanel”, na peça “Mademoiselle Chanel” (2004).