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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

EMOÇÃO E LONGAS FILAS MARCARAM O LANÇAMENTO NACIONAL DO LIVRO DA VIDA DE ROGÉRIA, EM SÃO PAULO


 De Luiz Carlos Lourenço
 Fotos:Daniel Marques



Dezenas de personalidades brasileiras, entre atores, fotógrafos, jornalistas, colunistas sociais e muitos admiradores foram os destaques na noite desta terça feira, na Livraria Cultura, em São Paulo, quando a atriz e cantora brasileira ROGÉRIA, considerada o "travesti da família brasileira" comandou o lançamento do livro de Márcio Paschoal, "Rogéria, uma mulher e mais um pouco". Imensas filas se formaram na livraria, ao mesmo tempo em que muitos curiosos procuravam a Diva para registrar selfies ou até para gravarem pequenos vídeos da primeira noite de lançamento. A festa aconteceu no Shopping Iguatemi, por mais de quatro horas e nem o tempo chuvoso de São Paulo encobriu o brilho da concorrida noite.

O próximo lançamento acontece no Rio de Janeiro, na Livraria da Travessa, no Shopping Leblon, nesta quinta-feira, dia 27, a partir das 19 h.




Entre os muitos nomes que podiam ser visto nas filas para fotos e autógrafos estavam a jornalista e apresentadora Claudia Matarazzo, Nany People, Jason Pizani, cabeleireiro dela em São Paulo,  Darbi Daniel, Salete Campari, o chef de cuisine Elias Ferreira de Souza, o mago das clebridades, o Guru Anderson, Miss Biá, o jornalista, pesquisador e escritor, Renato Fernandes, da revista Joyce Pascovitch e a representante da LBV, Renata Tabach Paiva, que recebeu um livro autografado por Rogéria e o autor Márcio Paschoal, para ser encaminhado ao diretor presidente da Legião da Boa Vontade, José de Paiva Netto.





UMA LONGA HISTÓRIA

 A história de Rogéria mais parece ficção. Nascida Astolfo Barroso Pinto, teve de enfrentar grandes desafios para se afirmar como homossexual, ícone do transformismo e, acima de tudo, artista.


Movida por uma enorme paixão pela arte e pela vida, conquistou, ao longo de mais de 50 anos de carreira, seu espaço no teatro, no cinema e na televisão, consagrando-se como uma personagem irresistível, quase mítica: Rogéria, o travesti da família brasileira.



Neste livro, Marcio Paschoal reconstrói a intensa trajetória de Astolfo-Rogéria desde seus primeiros passos como maquiador das cantoras da era do rádio e das estrelas da TV Rio, passando por sua estreia nos palcos em plena época da ditadura, o sucesso internacional e o reconhecimento artístico em seu retorno ao Brasil.


O autor do livro, MARCIO PASCHOAL nasceu no Rio de Janeiro e se formou em Economia. É escritor, redator e autor com mais de dez livros publicados. Trabalhou para a Fundação Getúlio Vargas no Cederj (Centro de Ensino Universitário a Distância) e foi colaborador do Jornal do Brasil nas áreas de música e literatura.

Publicou os romances Sofá branco -menção honrosa Graciliano Ramos-UBE e pré-seleção do Prêmio Nestlé de Literatura, Odara e Os atalhos de Samanta, além dos ensaios de humor Cada louco com sua mania, com ilustrações de Jaguar, e o Horóscopo sexual para praticantes (todos pela Record). Escreveu também A morte tem final feliz (InVerso), o livro de crônicas A maconha está bêbada (Mirabolante) e o infantil O livro maluco e a caneta sem tinta, em parceria com Tereza Malcher (Zit). É também autor da biografia sobre o compositor maranhense João do Vale ( publicado pela editora Lumiar).



Para traçar um retrato fiel de Rogéria, o autor fez uma grande pesquisa iconográfica, reunindo fotos lindíssimas. Também optou por dar voz à biografada, que conta, com toda a sua irreverência, deliciosas histórias do show biz.

Sem citar nomes, mas dando pistas suficientes para instigar os leitores, Rogéria revela detalhes picantes de seus casos de amor com políticos, artistas, empresários, esportistas e jornalistas.


Rogéria costuma dizer que um travesti precisa de inteligência e talento para saber que não é mulher de verdade. Essas são qualidades que não faltam a Rogéria, mulher e mais um pouco.
Movida por uma enorme paixão pela arte e pela vida, conquistou, ao longo de mais de 50 anos de carreira, seu espaço no teatro, no cinema e na televisão, consagrando-se como uma personagem irresistível, quase mítica: Rogéria, o travesti da família brasileira.


Neste livro, Marcio Paschoal reconstrói a intensa trajetória de Astolfo-Rogéria desde seus primeiros passos como maquiador das cantoras da era do rádio e das estrelas da TV Rio, passando por sua estreia nos palcos em plena época da ditadura, o sucesso internacional e o reconhecimento artístico em seu retorno ao Brasil.



Pisar num palco qualquer um pode. A questão é saber entrar e sair. “José Mayer é que dizia: ‘Rogéria é a rainha das entradas’”, conta hoje, aos 73 anos (52 de palco), a própria. Atriz, cantora, ator transformista? Rogéria pensa um pouco antes de dar a resposta final.


“Sou Rogéria, artista. Porque artista independe do sexo. Foi a Fernanda (Montenegro) que me disse isto.” Se não tivesse talento, não seria Rogéria. “Seria hoje um maquiador cuidando de mulheres. Não sou mulher, mas sou extremamente feminina nos detalhes.”


E todos (não, a maioria, pois ela soube bem o que deixar de fora) estão na biografia Rogéria – Uma mulher e mais um pouco, de Marcio Paschoal. Em quase 300 páginas – e muitas fotos – o livro recupera uma trajetória absolutamente incomparável.

Ainda que as primeiras lembranças tenham sido contadas pela mãe, morta há cinco anos, prestes a completar 92, Paschoal relata as histórias de Rogéria (resultado de décadas de amizade e 30 horas de entrevista) com gosto. Astolfo tinha três, quatro anos quando andava pela casa da família com um pedaço de pano fazendo as vezes de cauda do vestido. Mas brincava com os meninos, e batia em quem o ameaçasse.



Sabia desde criança que não era como os outros. Apaixonou-se perdidamente aos 19 anos, quando viveu o grande amor de sua vida num casamento que durou três anos. A personalidade forte e o talento o levaram para os show business. Na época, Astolfo, que já se vestia como queria, virou maquiador. No auge do Fla-Flu entre Emilinha Borba e Marlene, maquiou as duas.


O nome Astolfo já havia sido substituído por Rogério, menos formal. Rogerinho maquiou meio mundo. Da música, Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Maysa, Elis Regina. Do teatro, Fernanda Montenegro, Sérgio Britto. Virou Rogéria no carnaval de 1964, ao participar de um concurso de fantasias. O locutor a chamou de “Rogério”. O público respondeu “Rogéria”. Foi no mesmo ano do golpe militar que Rogéria estreava nos palcos, num show de travestis em que logo se destacou.


Tinha 21 anos e um mundo para conquistar. Ao longo das décadas, o livro conta, fez de tudo. Passou longas temporadas na Europa e na África, conseguiu dinheiro e dores de cabeça. No Brasil, foi também para a televisão e o cinema.

Em meio a essas histórias, muitos (e picantes) relatos sexuais. Com anônimos, em sua maioria, e famosos também. Que ela, a despeito da passagem do tempo, não revela nem por decreto. Paschoal só mostrou o livro para Rogéria quando colocou o ponto final (este foi o combinado entre eles) e poucos retoques tiveram que ser feitos.


Outro conflito é quanto aos rótulos. “Quiseram que eu fosse um transsexual na Espanha. Eu tenho uma mulher em mim, mas não sou. O Astolfo me dá muito orgulho.” E é o nome da família que ainda hoje figura em sua carteira de identidade, a despeito da figura loira que está na foto.

AMOR E SEXO 

A sexualidade, por outro lado, nunca foi conflituosa. Amor, sim. “Amor ligado ao sexo e ao coração é dificílimo de conseguir. Como homem, tenho mais facilidade em ter prazer sem amar. Mulher precisa amar para ter relação sexual. Essa foi a razão de não querer ser mulher.”
Se há uma coisa que a incomoda é tentar vinculá-la com algum movimento político. “Não me queira botar como deputada LGBT. Não sou política, não vou vestir rótulo de ninguém para ir para a Câmara discutir. Se fosse, a única coisa que faria seria criar banheiro para travesti, para as meninas não passarem nenhum constrangimento.”


Sem máscaras – tampouco silicone ou botox, conforme fez questão de comprovar à reportagem – Rogéria segue na carreira. Tem o lançamento da biografia, os shows que continua fazendo Brasil afora e a participação no documentário Divinas divas, de Leandra Leal, que retrata a primeira geração de travestis que chegaram aos palcos no Brasil.



Palco este em que Rogéria vai continuar, se possível, até o fim. “Não vou mentir. Se eu morresse no palco, ia ser o máximo. Até na morte você tem que ter glamour.”


SERVIÇO 

ROGÉRIA – UMA MULHER E MAIS UM POUCO
•  De Marcio Paschoal
•  Sextante
•  272 páginas
•  R$ 44,90 e R$ 24,99 (e-book)