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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

SHOW NO CENTRO MEMÓRIAS DO RIO PRESTA UMA HOMENAGEM AOS 80 ANOS DA RÁDIO NACIONAL



Com um luxuoso show dedicado aos baluartes da nossa MPB, foi realizado na noite de ontem no Centro de Memórias do Rio, na rua Gomes Freire, um espetáculo comemorativo dos 80 anos da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, dirigido por Maurício de Almeida e produzido pela performática atriz Suzy Parker. 

A festa contou com a presença de inúmeras cantoras e outros artistas que se apresentaram na rádio e que continuam em plena atividade como ELLEN DE LIMA, ELIANA PITTMAN, DORIS MONTEIRO, ADELAIDE CHIOZZO, LUCIENE FRANCO, GERDAL DOS SANTOS, MAGALI PENÉLOPE, PAULO WAGNER, KATIA JONES, PAULO MARTAN, YEDA BROWN, CLAUDIA CELESTE, SISSY DIAMOND E JOÃO ROBERTO KELLY, entre outras estrelas que se apresentaram ao público da lotada casa de espetáculos e que mereceram uma homenagem especial. Ao final da festa, todos cantaram a canção "Cantoras do Radio" e o "Parabéns a Você" em torno de um bolo comemorativo que foi servido a todos os presentes.

Fotos de dilvulgação


A EMISSORA MAIS FAMOSA

"Alô, alô Brasil! Aqui fala a Rádio Nacional do Rio de Janeiro”. Com essas palavras o locutor Celso Guimarães inaugurou, em 12 de setembro de 1936, às 21h, aquela que se tornaria a maior emissora do país. A Radio Nacional foi fundamental para o lançamento de talentos da MPB em seus célebres programas de auditório e a maior divulgadora do trabalho de atores, atrizes, humoristas, dramaturgos, além de responsável pela formação de profissionais que brilharam nas ondas da PRE-8, nos anos 40 e 50, auge da Era do Rádio. Nos bons tempos, a Nacional, primeiro veículo de comunicação de massa do país, chegou a empregar quase 700 pessoas, sendo 240 funcionários administrativos, 15 maestros, 33 locutores, 123 músicos, 55 atores, 39 atrizes, 52 cantores, 44 cantoras, 18 produtores, um fotógrafo, cinco repórteres, 13 plantonistas e 24 redatores.


Os programas de auditório eram disputadíssimos pelo público. Nas filas que se formavam na calçada do edifício “A Noite” – um arranha-céu de 22 andares na Praça Mauá, inaugurado na década de 20 e na época o mais alto da América Latina – tinha gente de toda a parte que queria ver seus ídolos, como Carmen Miranda, Cauby Peixoto, Ângela Maria, Francisco Alves, Marlene, Emilinha Borba, Nelson Gonçalves e Ary Barroso e seus calouros numa variedade enorme de programas. Radamés Gnatalli escrevia os arranjos para ”Um milhão de melodias”, que estreou em 6 de janeiro de 1943; o maestro Lírio Panicalli cuidava dos programas românticos, enquanto Léo Perachi, dos sinfônicos. A Rádio Nacional se dava ao luxo de ter uma orquestra com 60 músicos. O programa de Gnatalli era patrocinado pela Coca-Cola, e a veiculação na rádio era a principal peça promocional para o lançamento do refrigerante no Brasil.


Um de seus inovadores foi o compositor e apresentador Almirante, “a mais alta patente do rádio”, que em 1938 lançou o ”Curiosidades musicais”, sob o patrocínio dos produtos Eucalol, além do programa pioneiro de brincadeiras de auditório, o ”Caixa de perguntas”. A década de 30 foi importantíssima para o rádio, quando a publicidade paga crescia rapidamente no veículo, graças à popularidade de seus programas. Mas foi a partir de 8 de março de 1940, com a encampação da rádio pelo governo Vargas, após confisco dos bens que pertenciam ao seu dono, o americano Percival Farqunhar, que a Nacional iniciou sua escalada para o sucesso.


Marlene e Emilinha Borba imperavam nos auditórios da Nacional, em programas como os de César de Alencar. Se Emilinha era eleita “A favorita da Marinha”, os admiradores de Marlene trataram de lhe providenciar a eleição para ”A favorita da Aeronáutica”, numa disputa sem fim. Cauby Peixoto foi recordista de correspondências: 3.052 cartas foram enviadas ao cantor só no mês de agosto de 1954. Na retaguarda da programação da Rádio Nacional atuava a ”Revista do Rádio”, a segunda em vendagem em todo o país, verdadeira porta-voz da PRE-8, divulgando fatos da vida pessoal e profissional dos seus ídolos.


Além dos programas de auditório, o radioteatro, inaugurado com a radionovela “Em busca da felicidade”, atingia altíssimos níveis de audiência. Segundo a edição do GLOBO de 15 de novembro de 1998, foi a partir de então que as mulheres aprenderam a grudar o ouvido no aparelho de rádio. Nos anos 50, a Nacional chegou a ter 16 radionovelas em cartaz, com destaque para ”O direito de nascer”, que ficou dois anos no ar e nos anos 60 foi adaptada para a TV, bem como outro grande sucesso, “Jerônimo, o herói do sertão”, levada para a telinha nos anos 70. Também fazia parte da programação da Nacional o mais importante noticiário do país, o ”Repórter Esso”, os humorísticos ”PRK-30” e ”Balança mas não cai”, este último com com Paulo Gracindo e Brandão Filho, como o Primo Rico e o Primo Pobre.


Até a década de 50 a ”Rádio Nacional” era líder absoluta de audiência. Em pesquisa do Ibope, realizada no Rio em janeiro de 1954, a Nacional aparecia em primeiro lugar, com 42,5%, a Tupi em segundo, com 10,5%, vindo a seguir Tamoio, com 8%, e Mayrink Veiga, com 7%. No entanto, com a expansão da TV no país, nos anos 50, a milionária verba publicitária que alimentava as estruturas faraônicas da Nacional começou a migrar para o novo veículo. A partir dos anos 60 os melhores profissionais e programas com o elenco completo começaram a se transferir para a nova mídia, como o “Repórter Esso” e o “Balança”. E a audiência também.


Nas décadas de 80 e 90, o declínio da rádio se acentuou e sua programação tornou-se nostálgica e pontilhada por ”highlights” do seu acervo, com programas como ”Marlene meu bem”, ”Alvarenga e Ranchinho”, ”PRK-30”, entre outros. Mais recentemente, a rádio foi revitalizada com o patrocínio da Petrobras, num investimento de R$ 2 milhões, e reinaugurada no dia 3 de julho de 2004 pelo então presidente Luís Inácio Lula da Silva. Mas a nova programação não conseguiu restaurar o brilho perdido.


Os anos de ouro da rádio foram retratados no musical ”Rádio Nacional – As ondas que conquistaram o Brasil”, escrito por Fátima Valença e dirigido por Fábio Pillar, que estreou em 13 de janeiro de 2006, no Teatro Maison de France, no Rio, conforme publicado no GLOBO em 23 de março de 2008, quando o espetáculo foi relançado. O musical, em homenagem aos 70 anos da rádio, teve 27 canções e contou com a participação especial da atriz Sylvia Bandeira. Hoje a Rádio Nacional faz parte da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), órgão do Governo Federal criado em 2007 para gerir as emissoras de rádio e televisão públicas federais.



Atualmente, grande parte do acervo da emissora encontra-se sob a guarda do Museu da Imagem e do Som (MIS), no Rio. São milhares de discos de acetato com meia hora cada de gravação dos lendários programas de auditório e humor, além de radionovelas, musicais e narrações esportivas do período compreendido entre os anos 30 e 70. Quanto à Rádio Nacional, permanece instalada no histórico prédio da Praça Mauá, recentemente reinaugurada no projeto de revitalização do Porto como parte do Boulevard Olímpico. O imóvel foi posto à venda pela União e poderá ser transformado em hotel ou prédio residencial.