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domingo, 1 de maio de 2016

Safira Bengell, ícone da Diversidade Cultural internacional, toma posse no MinC, no Comitê de Cultura LGBT



















Por Sérgio Oldenburg

"A artista Safira Bengell, assim como a pedra, tem seu brilho, sua beleza e mistérios. Mas Safira representa muito mais que brilho e glamour..., ela representa uma classe LGBT a qual ela, há décadas, defende, luta, procura meios para que se diminua o preconceito, se aumente o respeito a fim de que todos sejam vistos com dignidade, como pessoas que são acima de tudo! Viajada, culta, inteligente, elegante e profissional sempre manteve uma postura humilde e digna que passa uma imagem positiva à sociedade do artista transformista (ou  travesti, como a consideram também).


Desfilou para grandes estilistas (Chiara Boni e D&G,...), fez shows pela Europa, teve casa noturna em Milão, participou de filmes (com Christian de Sica e Di Laurentis) e apresentou programas de TV entre tantas outras atividades. Multifacetada, articulada e guerreira é um ícone da diversidade internacional. Seus trabalhos e conquistas foram marcantes aqui no seu país bem como no estrangeiro. E com a volta para o Brasil, há poucos anos, não foi diferente: sua trajetória foi reconhecida, seu trabalho exitoso repercutiu e recebeu honrarias (Comenda do Mérito Renascença) no seu Estado, o Piauí. Assim, por merecimento, hoje está fazendo parte deste Comitê ligado ao MinC. Votos de uma boa gestão e parabéns!"


O Brasil ficou pequeno para seu talento, veio então um tour de espetáculos pela Europa. Estabeleceu-se na Itália, onde inaugurou a American Disaster, primeira casa italiana de shows de travestis. Ativista, artista e empreendedora de renome por lá, foi uma das primeiras transexuais brasileiras a ter passaporte italiano.

No país, conseguiu toda a atenção dos holofotes. Fez cinema, teatro e televisão. Apresentou a Parada Gay de Roma, foi convidada para o Tele Gato (o Oscar da TV italiana), desfilou para Chiara Boni e D&G, foi musa do renomado fotógrafo Sergio Caminata.

Safira brilhava no entretenimento, mas sentia falta de um ‘cobertor de orelha’ e quando estava colocando um anúncio no jornal à procura de um marido, acabou pegando carona com um marechal do exército da Europa, o italiano Gian Luigi, e nunca mais se largaram. São 23 anos de união.


Juraram amor eterno na casa de Romeu & Julieta, em Verona, casaram legalmente por lá e em fevereiro oficializaram a relação também no Brasil – com direito a troca de aliança e tudo. Apaixonados por animais e natureza, os dois não têm filhos até o momento (pretendem adotar em breve), enquanto isso, vivem com cachorros, gatos e um papagaio.

Após anos na Itália, Safira retornou ao Brasil para cuidar da mãe que ficou viúva. O choque de saber ainda criança que era adotava e a recusa na aceitação de sua identidade não fez dela uma pessoa rancorosa, muito pelo contrário. Sempre admirou os pais pela coragem que tiveram e se fez presente quando possível.

Por aqui, voltou-se ainda mais ao engajamento nas causas em prol dos LGBTs, especialmente dos transexuais. Formada em Cinema, TV e Teatro na Europa, adicionou mais um curso ao currículo, graduando-se em Recursos Humanos.


A primeira artista transformista brasileira a mudar o nome no registro civil hoje quer pressionar o governo e conscientizar a população sobre a necessidade real de visibilidade aos transexuais. Sua luta, inclusive, tem foco especial na discriminação regional, através da bandeira do bem estar da população como um todo.


Em 2015, foi premiada como Personalidade Nacional pelo Movimento Nacional Direitos Humanos em reconhecimento aos 37 anos de luta. Em Teresina, sua cidade natal, articulou à criação do Conselho Municipal LGBT e comanda trabalho pioneiro no combate, prevenção e tratamento de Aids e outras DSTs.
No que diz respeito à nova geração de transformistas, Safira considera a famigerada RuPaul boa fonte de inspiração. As duas se conheceram durante uma edição do Festival de San Remo, na Itália e a brasileira é só elogios à carreira e profissionalismo da americana.



Articular e mobilizar o Movimento LGBT e outros possíveis parceiros em níveis nacional, estadual, distrital e municipical a fim de ampliar e divulgar as ações e politicas culturais LGBT.  ....No campo da cultura LGBT, há uma dificuldade muito grande não só de acesso, mas também de registro. As iniciativas terminam, as pessoas morrem e não existe nada documentado. O Comitê tem um compromisso de instrumentalizar, criar materiais para que a gente possa identificar o que está sendo produzido de cultura LGBT e garantir a continuidade e a absorção dela dentro dos programas de governo", destaca Sandro Ka, membro do Comitê e diretor do Somos - Comunicação, Saúde e Sexualidade, organização não governamental (ONG) de Porto Alegre (RS) reconhecida como Ponto e Pontão de Cultura pelo Ministério da Cultura (MinC).

Para além da questão da memória, outro ponto que foi colocado como uma das principais dificuldades enfrentadas pela população LGBT na execução e no reconhecimento de sua produção cultural diz respeito à arte transformista.

"Nós pretendemos criar políticas afirmativas e entrar de vez no mercado de trabalho na dramaturgia, na publicidade e no cinema. Estamos ainda na marginalidade e isso a gente não pode mais suportar", disse Safira Bengell, atriz, produtora, diretora uma das pioneiras dos shows de travestis no Brasil  e que atua há mais de 37 anos na área e é integrante do Comitê.

Mais um trechinho: Safira Bengell  foi selecionada  entre centenas de artistas de todo o Brasil  em segundo lugar , na categoria notório conhecimento da cultura LGBt  e fazem parte do colegiado, ainda Sayonara Nogueira, Ricardo Mouzer, Giowana Cambrone Risla Lopes Miranda, Driada Aguiar, Leonardo Lessa, Josè Felipe dos Santos. Na abertura dos trabalhos contou com a presença da ministeriável Dra Thais Werneck.