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sábado, 26 de março de 2016

Páscoa caseira


Recebemos da nossa leitora Heloisa Dietrich uma colaboração surpreendente: fotos de antigas embalagens de tintas para tingir ovos. Os rótulos coloridos imediatamente nos arremessaram ao passado, a nossa infância, quando, além dos ovos de chocolate, do pão de mel (arghh!!) em forma de coelho (vinha forrado com uma gravura em papel) e dos “ovos de vista” (aqueles de açúcar duro, com uma lente plástica na extremidade, por onde se espiava uma cena campestre), eram distribuídas, também, as indefectíveis cascas de ovos de galinha, artesanalmente pintadas e contendo amendoim carapinha, ou mesmo ovos de galinha cozidos e coloridos.





Quase sempre, esses eram presentes de avós ou velhas tias, que arrematavam o orifício superior com um pedacinho de papel colado que deveria ser rompido. Acho que os descendentes germânicos cultivavam, especialmente, esse hábito. As instruções em idioma alemão, e também em português, são sintomáticas. As tintas eram fabricadas por firmas como a Adamy & Cia, de São Leopoldo, ou mesmo importadas, como no caso das Heitmann / Iris Eierfarben.



As cores eram sortidas: “encarnado, amarelo, verde, azul e violeta”. As instruções recomendavam dissolver o conteúdo “na água quente, com uma colher de vinagre e um pouco de sal. Coloca-se os ovos previamente bem lavados e cozidos no líquido e, após, esfrega-se com um paninho untado em gordura”. Até os anos 1990, gente como dona Angelina Rosito Correa (in memoriam) ainda customizava ovos com esmero, como ela fazia para a neta Bruna. Como diz Heloisa: “boas lembranças…”.



Fonte :ZH Blogs/ 
Almanaque gaúcho por Ricardo Chaves