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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Saudades, música e reencontros marcaram lançamento do livro de Belisa Ribeiro, no Leblon - Rio de Janiero


De Luiz Carlos Lourenço
Fotos de Daniel Marques

Uma longa  noite de autógrafos do livro da jornalista, escritora e entrevistadora BELISA RIBEIRO,  "Jornal do Brasil- História e memória"emoção -, que aconteceu na noite de ontem no Leblon, na Livraria Argumento, reuniu os baluartes do mais tradicional jornal brasileiro, que confraternizaram com amigos, artistas, empresários, sambistas e políticos. A festa contou ainda com a "canja" dos filhos de Belisa, Gabriel Contino (popularmente  conhecido como Gabriel o Pensador)  e Tiago Mocotó , que fizeram um belo dueto para a mamãe, depois de proferirem palavras carinhosas.




  Do ex-governador Moreira Franco à escritora Marina Colassanti, dos empresários Ricardo Amaral e Catito Peres à Narcisa Tamborideguy, do chargista Chico Pinheiro à cantora e jornalista Tania Malheiros e de um dos mais destacados mangueirenses do Rio, Carlinhos Pandeiro de Ouro à irriquieta cantora Hanna, todos estavam lá, em longas filas esperando o autógrafo. Ao final da noitada, Belisa já havia autografado mais de 300 exemplares, confessando que estava com a mão direita dolorida de tanto escrever mensagens pessoais e assinar seu nome.



 Muitos jornalistas presentes lembravam que o ano que passou, 2015, foi um dos mais dolorosos para a categoria: houve registros de mais de 1400 demissões no país, em veículos impressos, online, de TV e rádio. Ma neste cenário de mudanças nos meios de produção, de fechamento de veículos, de predomínio do digital, uma coisa parece certa: o jornalismo, como função social e profissão, não pode e não deve acabar. É essa a impressão que Jornal do Brasil – Memória e história, de Belisa Ribeiro, acaba aos seus leitores. leitor.



 Entre os muitos amigos que compareceram ao lançamento destacavam-se a Juiza Denise Frossard, os escritores Ruy Castro e Afonso Romano de Sant´Anna, os jornalistas Tarcisio Baltar, Maurício Menezes, Sandra Chaves, Christine Ajuz,  Jorge Antonio Barros, os fotógrafos Evandro Teixeira e Luis Morier, e o ator Carlos Vonpinaz Barreto.



 A autora escreveu uma especial dedicatória ao Diretor Presidente da Legião da Boa Vontade, jornalista e radialista José de Paiva Netto, representado por um dos assessores de imprensa da instituição, Luiz Carlos Lourenço. Ela escreve: "Para José Paiva Netto, os momentos marcantes do inesquecível JB Abraços da Belisa Ribeiro!.



 Um dos momentos emocionantes da noite de autógrafo foi a chegada da viúva do jornalista Sérgio Fleury, usando uma máscara colorida com o rosto do marido. A cena emocionou muito Belisa, que abraçou a amiga, contendo-se para não chorar. Falecido no ano passado, era Fleury que organizava, anualmente, os encontros dos ex-funcionários do jornal, momento marcante de reencontro quev até hoje acontece no Restaurante La Fiorentina, no Leme.



DEPOIMENTOS


O livro  de Belisa registra depoimentos de alguns dos mais importantes jornalistas brasileiros que, em épocas diferentes, marcaram a trajetória do jornal e contribuíram para torná-lo um dos maiores de seu tempo. O JB, que em março completa 125 anos e foi criado para defender a monarquia, passou pela fase popular de jornal de classificados e pelas reformas editoriais que modernizaram a imprensa, foi trincheira muitas vezes para o combate à censura, para a denúncia de corrupção e maus feitos com o dinheiro público, má administração e outras mazelas da República. Foi também veículo de vanguarda, ditando moda, descobrindo tendências e revelando culturas.


Em suas 400 páginas, a jornalista Belisa Ribeiro conta histórias de edições corajosas, como a que noticiou a morte do presidente chileno Salvador Allende na primeira página inteira do jornal (sem manchete, como mandara a censura); de grandes reportagens, como a que revelou a reunião, no interior do Rio, de um grupo nazista, ou a que desvendou a farsa militar da bomba no Riocentro; e um pouco da trajetória de alguns de seus jornalistas.



 O Jornal do Brasil, fundado em 1891,  deixou de circular em sua versão impressa desde o dia 1o. de setembro de 2010 . Aos leitores, só restou apenas a opção da edição digital, via internet, mediante uma assinatura mensal  Para a empresa que administra a publicação há nove tratava-se"  de um passo rumo ao futuro", mas para muitos profissionais de imprensa a iniciativa significou uma espécie de morte de um dos mais importantes jornais do país;



Fundado num 9 de abril, o JB marcou seu lugar na história dos grandes jornais como
 um precursor de inovações, como o uso de agências de notícias e o envio de correspondentes ao exterior. Lançado menos de dois anos após a Proclamação da República, o JB foi identificado inicialmente como um jornal monarquista e, desde então, manteve uma intricada relação dialética com a vida republicana brasileira.



– Eu resumo a história do JB em dois períodos. Um século de glória e duas décadas de agonia – afirmou Alberto Dines, do Observatório da Imprensa e ex-diretor de redação do JB, onde trabalhou de 1962 a 1973. – Era um jornal liberal no sentido de ser antimilitarista e, portanto, contrário à República, que nasceu pelas mãos de um golpe militar.



 Fundado pelo jornalista Rodolfo Dantas, o Jornal do Brasil passou a ser comandado, na década de 20, pelo conde Ernesto Pereira Carneiro, que fez a transição de um diário popular para um jornal mais moderado e moderno. O JB teve entre seus profissionais nomes como os de Ruy Barbosa, Joaquim Nabuco, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Barbosa Lima Sobrinho, João Saldanha, Carlos Castello Branco, Otto Lara Resende e Ziraldo, entre tantos outros. Em 1954, após a morte do Conde Pereira Carneiro, sua viúva, a condessa Maurina Dunshee de Abranches Pereira Carneiro, passou a dirigir o jornal. Anos mais tarde, passou o bastão ao genro Manuel Francisco do Nascimento Brito, eternizado como o ‘doutor Brito’.



Entre as décadas de 50 e 80, viveu seu auge. A reforma gráfica de 1959, a cargo de Amílcar de Castro, introduziu novidades como diagramação vertical e eliminação de fios entre as colunas, que acabaram influenciando jornais dentro e fora do Brasil. No plano editorial, as mudanças foram realizadas pela equipe de Odylo Costa, filho, na qual estavam jovens jornalistas como Wilson Figueiredo, Carlos Lemos, Jânio de Freitas, entre outros. Os textos ficaram mais leves e foram criados suplementos, até então inexistentes na imprensa brasileira.





– Nos anos 60 e 70 ele revolucionou a imprensa brasileira, era o modelo a ser seguido, tanto gráfica como editorialmente – diz Orivaldo Perin, que entrou no JB como estagiário, onde trabalhou ‘três encarnações’. – Sua importância estava mais no conteúdo que na tiragem. A venda média do jornal, mesmo nos áureos tempos, ficava entre os 100 mil e os 150 mil exemplares/dia, mas tudo o que publicava, repercutia.



– O JB também foi muito importante para O Globo. A concorrência entre os dois obrigou cada um a entrar na seara do outro, com bom jornalismo e conteúdo. Foi um dos momentos mais bonitos da história do jornalismo brasileiro. Quem ganhou foi o leitor – afirma Dines.