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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

PROGRAMA" RADIODRAMA" ESTREIA COM NOVE TEXTOS INÉDITOS DE JÔ BILAC E TRAZ NOVO FÔLEGO AO RADIOTEATRO



Carro-chefe do projeto, série “Paisagens sonoras do Rio” será lançada nesta terça-feira dia 20, no Museu de Arte do Rio, e marca estreia do autor no rádio




Nem teatro, nem televisão. Um dos mais incensados autores da dramaturgia contemporânea, Jô Bilac faz sua primeira incursão pelo universo do radioteatro.  O  premiado dramaturgo assina nove peças inéditas da série “Paisagens Sonoras do Rio”, abrindo a temporada do programa “Radiodrama”, que será lançado no próximo dia 20 de outubro, no Museu de Arte do Rio – MAR, com um audição especial para convidados.

As peças originais foram adaptadas pelo diretor Fabiano Freitas, em projeto coordenado pela atriz e produtora Nely Coelho. A dupla trabalha pela retomada do radioteatro brasileiro desde 2010, quando se juntou a outros realizadores para  criar o programa “Contos do Rádio”, no Núcleo de Radiodramatugia EBC – da Empresa Brasil de Comunicação. Em duas temporadas, Freitas e Nely levaram ao ar 70 adaptações radiofônicas de clássicos da literatura brasileira e universal, transmitidas pelas rádios Nacional e MEC.

“Paisagens sonoras do Rio” faz um passeio ficcional por tradicionais bairros das Zonas Sul, Norte e Oeste do Rio de Janeiro.  No elenco, 11 atores se desdobram em 26 personagens, que vivenciam situações limite de loucura íntima e com as relações em seu entorno.

Os  podcasts com as peças radiofônicas “Veneno Colorido”, “Cegueira do Gato”, “Escorial do Medo”, “Medusa de Ramos”, “Odaliscas do Momo”, “Dueto”, “Bebê Apavorado”, “Tatuagem de Beija-flor” e “Olhos de Pelúcia”  estarão disponíveis no portal Radiodrama   - http://www.radiodrama.com.br/ - , que também entrará no ar no próximo dia 20, com informações gerais sobre radioteatro e mais detalhes do projeto Radiodrama.

Como nasceu o projeto  “Radiodrama”?


Fabiano -  Depois de “Contos do Rádio”, Nely e eu começamos a voltar nosso olhar para a dramaturgia contemporânea e como ela dialoga com o radioteatro enquanto gênero.  Mais ainda: como o rádio, como meio de comunicação, nos oferece condições favoráveis para a escuta desta dramaturgia, que está sempre buscando a renovação de sua linguagem. Radiodrama nasceu desse desejo de realizar um radioteatro que explorasse a potência do ator, de textos atuais e, acima de tudo, a potência da escuta, que o radioteatro carrega intrinsicamente em si enquanto linguagem.  

Fale um pouco sobre o universo dos textos e dos personagens de Paisagens sonoras do Rio.
Na série “Paisagens Sonoras do Rio” estamos trabalhando com uma compilação de nove peças curtas de Jô Bilac. São peças que dialogam com todas as regiões do Rio e personagens possíveis de seus bairros. Eles não são necessariamente personagens evidentes, ou mesmo arquetípicos, são personagens singulares, todos atravessados pela obsessão e pela paixão - uma homenagem do autor ao universo do nosso maior dramaturgo, Nelson Rodrigues.
Você é fundador, ator e diretor do grupo Teatro de Extremos. Porque encenar no rádio?
São linguagens bastante diversas, e justamente por isso, o trânsito entre elas é muito rico. No rádio a investigação está na potência da escuta, em subverter o vício que nossa cultura estabelece na imagem e ter que criá-la a partir do som e da palavra. Proporcionar um exercício de escuta é algo revolucionário nos dias de hoje. No teatro eu tenho a produção de imagens como aliada fundamental para as minhas encenações. Mas ainda assim, elas estão a serviço de uma escuta, de uma relação que preciso estabelecer com o público. Para mim, poder fazer os dois exercícios complementa um pensamento estético sobre a cena na contemporaneidade.      

Em tempos de mídias digitais, qual o maior desafio de se fazer radioteatro, hoje, no Brasil? Não temos mais essa cultura desde a Era de ouro do rádio.
O rádio está se reinventando a partir das novas mídias. Aplicativos em telefones celulares, sites e programas exclusivamente de áudio na internet são uma realidade
que potencializa ainda mais as possibilidades de escuta. O rádio já há muito tempo tem a mobilidade como aliada (o radinho de pilha, depois o walkman, os mp3 e depois os ipods e celulares). Hoje você pode ouvir uma rádio de qualquer lugar do mundo na sua casa, carro ou no seu celular sem depender mais das ondas sonoas. O rádio está vivo


SOBRE O DIRETOR

Fabiano de Freitas é diretor teatral, dramaturgo, roteirista e realizador das áreas
radiofônica e audiovisual. Ator e diretor da Cia Teatro de Extremos, que completa 10 anos em 2015. Foi coordenador do projeto DNA – Dramaturgia de Novos Autores, da ocupação Dulcinavista, no Teatro Dulcina, com curadoria de Cesar Augusto e direção artística e produção de Marco Nanini e Fernando Libonati. É diretor e roteirista do Núcleo de Radiodramaturgia EBC – Empresa Brasileira de Comunicação.  Dirigiu os programas “CONTOS NO RÁDIO”, “CENA POÉTICA” e  “MÚSICA E VERSO”, transmitidos pela Rádio MEC e Rádio Nacional.

                                                                                   
​SOBRE O AUTOR

Jô Bilac tem 31 anos e nove de carreira como dramaturgo profissional. Das 21 peças lançadas desde 2006, sete estiveram em cartaz no Brasil, no ano de 2015. São montagens protagonizadas tanto por atores veteranos, como Marco Nanini, como por colegas de escrita, como Mário Bortolotto e sua Cia Cemitério de Automóveis. Em 2010, conquistou o Prêmio Shell de Teatro do Rio de Janeiro, na categoria de melhor autor, com a peça "Savana Glacial". Foi duas vezes indicado como personalidade de teatro do ano pelo jornal "O Globo" (2011 e 2013), ao lado de grandes nomes do teatro nacional, como Marco Nanini, Marieta Severo e a crítica de teatro Barbara Heliodora.