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quarta-feira, 28 de outubro de 2015


OS MAIS JOVENS E POPULARES BIÓGRAFOS DO BRASIL

 Foto Capa do livro - Editora Ilelis / Tudo em Pauta


‘’Gretchen, uma biografia quase não autorizada’ é o nome do livro que conta a trajetória da rainha do bumbum, Gretchen ou Maria Odete de Miranda Brito, pela Editora Ilelis, em parceria com a assessoria Tudo em Pauta. Lançado semana passada em São Paulo e recentemente no Rio, causou furor na imprensa, longas filas de leitores e polêmicas em geral. Agora, os jovens autores Gerson Couto e Fábio Fabrício Fabretti nos concederam uma exclusiva entrevista, revelando suas experiências e olhares a respeito da tão esperada biografia que já é sucesso de mídia e de vendas.


Foto: Graça Paes


Fábio Fabrício Fabretti é professor de literatura e pesquisador da novelista Glória Perez, da Rede Globo. Também biógrafo de grandes nomes como Caio Fernando Abreu, Jussara Calmon, Neusinha Brizola e Glória Pires; E revela sobre o projeto:

‘’Fazer uma biografia é registrar a vida de alguém. Para mim é uma homenagem e uma documentação envolvendo um trabalho sério que consiste em pesquisas e resgate social, envolve fatores histórico, cultural, artístico e até político. Quem viveu em uma determina época deixa seu rastro na história, sua modificação no tempo e sua marca no passado. Infelizmente no Brasil não há muita valorização a respeito do trabalho que fazemos, às vezes tanto por quem está fora quanto dentro do projeto. As pessoas confundem muito o nosso sério trabalho, achando que somos fãs ou amadores. Mas quem o faz tem consciência da seriedade, da responsabilidade e do peso que acarreta, assim como os dias e as noites investidas. Tenho plena consciência do que faço e amo fazê-lo. Há poucos biógrafos no Brasil e principalmente jovens. O Brasil é um país que valoriza a TV Fama, com suas fofoquinhas superficiais sobre as celebridades, ignorando um livro sobre a vida de um verdadeiro artista. Nem sempre há o reconhecimento e o respeito, muitas vezes até de quem deveria tê-los. No entanto, mesmo assim, é maravilhoso a conclusão do trabalho e o resultado positivo que surge, sabendo que um livro agrada o público e que, recém-lançado, já está sendo cotado como um dos mais vendidos. Todos os meus livros têm boa projeção na mídia e esgotam-se rapidamente. E isso é a maior e melhor resposta. Mas é fundamental escolher bem quem será biografado, porque depois da obra pronta, não adianta se arrepender. No caso da Gretchen, escolhemos um formato de almanaque biográfico, mais divertido para o leitor e ilustrativo para contar a história. E parece que acertamos na ideia, fugindo do tradicionalismo careta, e com as parcerias, do Rafael Ilelis, da editora, e Erika Digon, da assessoria. Foram dois anos exaustivos e intensos de pesquisas, entrevistas e escritas. E mesmo que alguns não reconheçam, nós sabemos da importância e do valor do que fizemos. E o público também.’’   

Foto: Fábio Pamplona


Gerson Couto, além de ter livros de fantasia e sobre filmes de terror (com prefácio do cineasta José Mojica Marins, popularmente conhecido por seu personagem Zé do Caixão), também é bailarino do programa Amor & Sexo da Rede Globo e afirma sobre a obra:

‘‘Quando iniciamos a pesquisa para a biografia, muitos fãs vieram até nós como seus semelhantes, como se nossa intenção maior fosse uma ode à artista, o que não é o caso. Nosso empenho para escrever a biografia de forma digna e densa, resultante de muita pesquisa, nasceu do nosso interesse diante do ícone pop e que merecia um resgate histórico. O brasileiro é ‘novidadeiro’ e muitas vezes criticam determinados artistas locais enquanto idolatram outros estrangeiros, sem entender sua trajetória nas décadas passadas, e como determinados trabalhos são uma resposta, ou uma afronta, ao determinado moralismo de uma época e das sementes ali plantadas, resultando no que hoje é consumido. Como escritores, jamais nos colocaríamos como fãs de uma pessoa biografada. Somos profissionais, embora muitos misturem as coisas, às vezes até o próprio artista. Temos um olhar imparcial diante da história. Não existe carinho ou minimizações diante dos fatos. A história foi como aconteceu e apresenta-la de forma diferente seria um erro. Escrever o livro de um artista, estando ele em voga ou não, mesmo que preferencialmente lembrado pelo público através do que foi um dia e do que pelo que é atualmente, consiste em uma grande alegria, como todos os livros publicados anteriormente.’’

Por Luiz Carlos Lourenço