Pesquisar

domingo, 25 de outubro de 2015

DICA DE VIAGEM - O CHARME  IRLANDÊS 


O país não está no topo da lista dos destinos mais visitados por brasileiros na Europa, mas a simpatia do povo, a vida boêmia e todas as possibilidades da capital irlandesa querem fazer isso mudar 


Por Lilian Crepaldi, de Dublin

O fog é onipresente nas Ilhas Britânicas e na Irlanda. Mas, naqueles dias de verão, ele sumiu do horizonte e deu lugar ao sol, majestoso, que resplandeceu nos jardins de um verde infinito e no burburinho das ruas comerciais. No parque St. Stephen’s Green, o mais movimentado de Dublin, jovens estenderam a toalha na grama e, de biquíni, aproveitaram aquele momento tão raro. Uma bela e sortuda exceção numa cidade marcada por temperaturas baixas. A Irlanda normalmente é gelada no clima, mas quente (e muito quente!) nos pubs, nas animadas conversas e nas atrações multiculturais.

Nas ruas de Dublin, um sotaque inglês carregadíssimo e charmoso encanta os turistas. É até possível ouvir o gaélico (ou irlandês), um idioma tão estranho que poderia ter sido criado por J. R. R. Tolkien, autor da saga O Senhor dos Anéis. 
A Irlanda, também chamada de Ilha Esmeralda, tem 450 km de comprimento e 300 km de largura. É dividida entre República da Irlanda e Irlanda do Norte, esta última parte do Reino Unido. A República da Irlanda tem ares de cidade pequena: as pessoas costumam se identificar pelo sobrenome e condado de origem. Condados marcados por um verde peculiar e por criações de ovelhas. O país tem mais de 8 milhões de ovelhas e apenas 5 milhões de habitantes. Há mais irlandeses nos Estados Unidos do que na própria Irlanda, devido a um passado marcado por guerras, epidemias e fome, que estimularam a emigração. Quem permaneceu no local de origem hoje desfruta de bons índices de qualidade de vida.
Apesar do passado repleto de dificuldades, o país mudou para melhor desde que ingressou na União Europeia e adotou o euro. A Irlanda inclusive recebeu o carinhoso apelido de Tigre Celta, por causa da crescente economia, que sobreviveu às mazelas da crise econômica iniciada em 2008. Para o turista, é o momento perfeito para aproveitar a pulsante Dublin, que reúne mais de 527 mil habitantes. 
As boas surpresas começam pela hotelaria de luxo. O Intercontinental Dublin (antigo Four Seasons) tem extensos jardins, um spa superequipado e  fica na sofisticada área de Ballsbridge. Já o The Merrion Hotel (membro da Leading Hotels of the World), em estilo georgiano, possui um jardim interno que convida ao repouso, além de uma imponente piscina de borda infinita. O hotel abriga o restaurante de Patrick Guilbaud, único dois estrelas no Guia Michelin da Irlanda. No menu, delícias como o ravióli de lagosta. 


Já o The Shelbourne, do grupo Renaissance, oferece um completo spa com seis salas de tratamento e piscina coberta. Há obras de arte espalhadas por vários cômodos do hotel, que foi palco de assinatura da Constituição Irlandesa em 1922. Outra opção é o Westbury, em plena Grafton Street, uma das mais emblemáticas da cidade. No melhor estilo de hotel-butique, conta com quartos com decoração contemporânea.
Para entrar em contato com a natureza, a melhor pedida é se hospedar no Powerscourt Hotel Resort & Spa, bem perto da capital. No meio dos bosques irlandeses, o hotel tem espaço para convescote e uma piscina fabulosa, iluminada por pontos de luz de cristais Swarovski. O resort conta com diferentes atrativos, como restaurantes gourmet, campo de golfe profissional e spa assinado pela marca Espa.
Dublin tem orgulho de suas múltiplas origens, uma mescla de influências vikings, celtas e cristãs. A mitologia e a magia celta continuam presentes em vários festivais irlandeses, apesar da maioria dos habitantes ser católica. O detalhe é que as duas maiores igrejas de Dublin – Catedral de St. Patrick e Christchurch – são protestantes. 
A Catedral de St. Patrick, construída em 1192, espelha uma das tradições mais interessantes da Europa: o culto a São Patrício que, segundo a lenda, foi o responsável por expulsar todas as cobras da região irlandesa. 


O Saint Patrick’s Day, comemorado em 17 de março, é um alegre festival que reúne música, dança e muita cerveja artesanal. Já a Christchurch, de 1030, foi erigida pelos vikings. Dublin também é herdeira da tradição celta. Os celtas viviam próximos da foz do Rio Liffey, o principal da cidade, e acreditavam em diversos deuses, fadas e duendes.
 O Leprechaun – lenda do século 14 sobre um duende sapateiro guardião de tesouros – é símbolo nacional. Diz a história que, para conseguir um pote de ouro, é preciso capturar o duende verde e nunca perdê-lo de vista.Outra referência é o trevo de três folhas: isso mesmo,   só três. Para os celtas, o trevo estava ligado a Airmid, deusa da medicina, e ajudava na cura dos doentes. 


Com a chegada da tradição cristã, o trevo passou a representar a Santíssima Trindade. A melhor época para conhecer Dublin é no verão europeu, entre junho e agosto. Para se movimentar na capital – fundada pelos vikings há mil anos –, caminhe sem pressa pelas ruas charmosas ou alugue uma bicicleta. É possível apreciar os jardins e parques que embelezam a cidade, como o St. Stephen’s Green. Aproveite o verão para experimentar uma tradicional cerveja irlandesa. 
Apesar de a Guinness ser a mais famosa, o país tem centenas de cervejarias que preparam a bebida da mesma forma há séculos. Aliás, um dos segredos da Guinness – inventada em 1759 e chamada pelos locais de “ouro negro” – é uma bolinha que vem dentro da lata: uma cápsula propulsora de nitrogênio, cuja função é manter intacto o sabor da bebida. Na Irlanda, a Guinness é muito mais do que uma bebida: é um verdadeiro patrimônio. Pedir uma pint (pouco menos de meio litro) num pub é quase obrigatório. A Guinness Brewery and Storehouse é o passeio mais realizado no país, mas não se engane: é uma grande loja, e o que realmente vale a pena é o Gravity Bar, com uma vista incrível da cidade.
Há também uísques. A Irlanda até hoje disputa com a Escócia o título de inventora da bebida. A lenda conta que o padroeiro do país, São Patrício, fabricava uma bebida com os mesmos ingredientes do uísque nos anos 400. Os amantes do destilado podem visitar a fábrica da Old Jameson, no centro de Dublin, que produz a bebida desde 1780. Além das cervejas e uísques, não deixe de saborear os pratos da culinária local, à base de carnes e, principalmente, batatas. O irish stew é um cozido irlandês com carne de carneiro inesquecível. Outra delícia é o chocolate recheado com bebidas: a marca Butlers é a favorita. Para curtir os melhores pratos, a cidade conta com restaurantes superbadalados, como o Chapter One. Comandado pelo chef Ross Lewis e com estrela no Guia Michelin, oferece um menu-degustação com sete pratos. Para completar a experiência gastronômica, visite o Winding Stair. Situado numa antiga livraria, o destaque fica por conta dos ingredientes locais, como o Irish Hereford, carne com ponto perfeito preparada na manteiga trufada. Quem prefere os tradicionais pubs, perca-se na região de Temple Bar, com a maior concentração de bares da cidade.
Apaixonados por literatura amam Dublin. Foi lá que James Joyce encontrou inúmeras inspirações para escrever Ulisses. Comece a visita pelo Writers Museum, que reúne objetos pessoais dos principais escritores irlandeses, inclusive Oscar Wilde. Um passeio mais histórico leva ao Dublin Castle, que data do século 13, e a Leinster House, atual Parlamento que já foi utilizado como castelo. 



Já a Trinity College, lendária instituição de ensino, foi fundada em 1592 pela rainha Elisabeth I e é uma parada imperdível. Em sua maravilhosa biblioteca, há mais de 200 mil obras, inclusive o Book of Kells, um belíssimo manuscrito ilustrado por monges celtas no ano 800.
Amantes das artes visuais devem visitar a National Gallery of Ireland, considerada um dos melhores museus de arte da Europa. O National Museum faz um percurso pela história do país, com destaque para as peças pré-históricas, vikings e medievais. Outra boa pedida é Dublinia, um museu interativo que reproduz o cotidiano nas épocas viking e medieval.
Para as boas compras, aproveite as lojas entre a Grafton Street e a Stephen’s Green, que vendem de roupas de grife a livros antigos. As ruas animam-se com músicos e outros artistas que prestam homenagens aos filhos célebres da Irlanda, como a banda U2 ou Bram Stoker, autor de Drácula. À noite, a tradicional dança                 irlandesa, com as companhias Jig ou Riverdance, é imperdível para conhecer as manifestações culturais. 
Mergulhe a fundo na história e visite um castelo nos arredores de Dublin, como Ardgillan ou Malahide. Os jardins de Powerscourt – chamados de Versalhes irlandesa – também são incríveis e ficam próximos à capital. Outra preciosidade é Bunratty, no Condado de Clare, a aproximadamente 185 km da capital. O castelo, construído em 1425, promove um autêntico banquete medieval aos turistas. De volta à gloriosa Dublin, considerada pela Unesco Cidade Patrimônio Mundial de Literatura, sente-se num belo jardim e viaje nas obras de Oscar Wilde, Bram Stoker, George Bernard Shaw, Samuel Beckett, Yeats ou James Joyce. Com certeza, você sairá de Dublin com inspiração para a vida inteira. 

Fonte: topdestinos.com.br