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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

LUXO, BRILHO E BELEZA ENCERRAM O
CARNAVAL CARIOCA COM O SCALA GAY




De Luiz Carlos Lourenço
Fotos de Daniel Marques



Os bailes gays são uma tradição do carnaval carioca e o Scala Gay, um dos mais importantes da cena alternativa, reúne até hoje centenas de gays, travestis e transexuais de todos os cantos do Brasil e do exterior. O baile surgiu nos anos 60, num momento de intensa repressão política e cultural no país. Naquele tempo, a festa era uma chance de valorizar e trazer mais visibilidade para os homossexuais reprimidos pela sociedade conservadora.
O baile sofreu algumas transformações ao longo dos anos e teve até um período de decadência durante a década de 1980, mas ele sempre foi o ponto de referência para a comunidade gay. Por questões de direitos de propriedade ele já denominado Gala Gay, Gala G , GGG (Grande Gala Gay) e Scala Gay. A festa também, já mudou de endereço algumas vezes, indo da extinta Boate Help para Scala Leblon e, em sua última modificação, instalou-se no endereço atual na casa de shows do Scala em plena Cinelândia, ao lado do Teatro municipal. 



Um detalhe nunca foi mudado –  O renomado baile Gay sempre aconteceu na terça-feira do carnaval, isto há 23 anos.
Funcionando em instalações diferenciadas, na AV.Treze de Maio, 23, e ocupando um subsolo, o baile acontece numa área total de 3 mil metros quadrados, dividida em três ambientes que acomodam mais de duas mil pessoas. Continua um baile grandioso, alegre e cheio de brilho, próprio da natureza dos gays e sem o preconceito e a homofobia dos dias atuais. 
No baile de terça-feira de carnaval , que só acabou quase ao amanhecer da quarta-feira de cinzas, podiam ser vistos turistas de vários cantos do mundo, com chineses, alemães, noruegueses, americanos, africanos e argentinos. Os foliões compareceram, em sua maioria, ricamente fantasiados, com cabeças adornadas com brilhos e plumas, embora muitos tenham optado por vestir micros biquinis, alguns com o " derrière" à mostra.
Entre as originais fantasias que podiam ser avistadas uma mostrava um cigano com dois sexos, pois aparecia com metade do rosto com a cara de uma linda e feminina cigana, vestido colorido e a outra, com um cavanhaque, e maquilagem pesada, revelava um cigano de botas e calça preta de cetim. Pacientemente, ele posava para as fotos dos foliões  mostrando os dois lados do seu personagem.


Entre as notáveis artistas do mundo gay que compareceram ao baile destacavam-se, com belas fantasias,  Meime dos Brilhos, Divina Aloma, Roberta Vermon, Camille K, Suzy Wong,Juju Maravilha, Marcella Zara, Sula Lastorini, Kauanne, Yeda Brown, Veluma Drag, Paulette Show, Alexandre Rakan, Suzy Brasil, Kennyah Smith, Kalyana Stronger, Fabiola Fontenelle, Bruna Spencer, Kennyah Smith(Miss Rio de Janeiro Gay), Suzy Parker,Vick Diamond, Ferrula Muniz, atual Lady Ok, Loreta Yang(Miss Plenitude Gay), Alexandre, que personifica a Carolina Navarro, Babalu Vendrani(Menina de Ouro 2014)Alexya Sttar e Ágatha Fox.
Recém chegada do Piauí, Safira Benguel, que em Teresina recebeu o título de comendadora e é importante ativista em seu estado em prol da causa LGBT, era uma das mais animadas presenças do biale, procurando registrar com sua câmera as fotos de todos os amigos que esta reencontrando, depois de alguns anos ausente do Rio. 
Também compareceram atores, empresários e frequentadores da noite carioca como Monique Cretton, Yacy Nunes, Arturo Recarey, Gualdino Calixto, Elba Rodrigues, Carlos Sampaio, Adriano Scarpatto Canabarro, Fernando Medeiros, José Carlos Ferreira Vieira, Carlinhos Podólogo e Rogério Torres.


Entre os convidados vips da festa estava um renomado pianista italiano, Luigi Montesanto, que havia desembarcado no Rio de Janeiro na véspera, pela primeira vez, ciceroneado pela atriz Claudia Orquídea. Encantado com o baile, passou a maior parte da festa fotografando os gays mais exóticos, lembrando que  os personagens que estavam no Scala Gay "eram digno de figurar num filme de Federico Fellini"
A Rainha do Scala Gay 2015, Danusa Meiomundo, toda envolva em plumas negras e num vestido de estrasses, recebeu sua faixa no palco, sob os aplausos dos foliões que lotavam o salão principal do baile.
Um dos pontos altos da noite foi o camarote exclusivo comandado por convidados do diretor geral do baile, Ricardo de La Rosa e do proprietário do Scala, Francisco Recarey, onde os participantes foram brindados com mita champanha importada, uísque, caipirinha, cerveja e outros drinques. No farto bufet, uma tradição da casa, foram servidos pratos variados, como Paella Valenciana, massas diversas, lagostas, pratos frios, comida japonesa com uma variedade de sushi e shasimi, bem como camarões e salgadinhos diversos. Uma enorme mesa de frutas da estação também estava à disposição dos convidados. 


Entre as atrações do baile destacou-se  a Orquestra Scala, que animou a galera com marchinhas, samba, música baiana, entre outros ritmos carnavalescos. Para esquentar a pista, nos pequenos intervalos de descanso dos músicos, o baile era animado pelo DJ Marco Resende.
Acontecendo na última noite de Carnaval, o Gala Gay é considerado a grande final dos bailes de Carnaval. O Rio é uma sociedade muito tolerante e os cariocas são conhecidos pela aceitação de pessoas e culturas diversas, assim o Gala Gay é um evento muito popular entre os homossexuais e mesmo entre os heterossexuais. Casais costumam levar os filhos e outros parentes para apreciar a festa e se divertir num baile onde a alegria acontece sem nenhum incidente!