Pesquisar

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

LANÇANDO NOVO LIVRO E CD, NELSON MOTTA
REÚNE UMA LEGIÃO DE AMIGOS EM IPANEMA




De Luiz Carlos Lourenço
Fotos de Daniel Marques


O setentão Nelson Motta fez valer nesta semana o velho jargão que diz "mais feliz do que pinto no lixo." Esbanjando saúde, alegria e vontade de produzir cada vez mais, Nelsinho, como é carinhosamente chamado pelos amigos mais próximos, comandou, na Livraria da Travessa de Ipanema um duplo lançamento: o CD ‘Nelson 70′ – que traz a música inédita ‘Parece mentira’, parceria dele com Marisa Monte e César Mendes – e o livro ‘As sete vidas de Nelson Motta’. O coquetel aconteceu por mais de três horas na noite de quarta-feira  e reuniu centenas de amigos, artistas e admiradores de seu talento como jornalista e escritor.  Nelson Motta se autodefine como um falso carioca, que nasceu em São Paulo, em 1944 mas viveu a maior parte de sua vida na zona sul do Rio de Janeiro.

Nelson e Lourenço


Entre as dezenas de amigos que fizeram filas para abraçar o jornalista, na concorrida noite organizada pela promoter Liège Monteiro e o marido Luiz Fernando Coutinho destacavam-se o produtor e compositor Roberto Menescal, acompanhado da mulher Yara, a novelista Gloria Perez, as jornalistas Cora Ronai, Regina Ritto e Isa Pessoa, o polivalente Luiz Carlos Mieli e a mulher Anita, as cantoras Joana e Du Morais, as atrizes Carolina kasting, Flavia Monteiro e Perola Faria e os escritores Guilherme Fiuza e Marcelo Rubens Paiva. Lá estavam também a socialite Gisela Amaral, os compositores Paulinho Moska e Jards Macalé, a atriz e poetisa Elisa Lucinda, o produtor e agente musical de Nelson Motta, Diego Pires Gonçalves. Dos países vizinhos, compareceram dois admiradores de Nelson Motta, o argentino Alejandro Puente Terren e o professor mexicano Darwing Peres, que levaram livros e os discos produzidos por Nelsinho.

Roberto Menescal com sua mulher Iara e Nelsinho Motta

Nelson Motta Costuma se definir como "um pau para toda obra", já que atua desde jovem como jornalista, compositor, escritor, cronista, roteirista e produtor musical. Autor de canções de sucesso como Dancing Days (com Ruben Barra) e Como uma onda (com Lulu Santos), Nelsinho integrou durante oito anos a mesa do programa Manhattan Connection, da GNT/Globosat. É dele o best-seller Noites Tropicais, que vendeu mais de 75 mil cópias. Escreveu também O canto da sereia e Nova York é aqui, entre outros. Nelson Motta comemorou seus 70 anos no dia 29 de outubro, mas os amigos costumam dizer que é ele próprio quem entrega presentes, pela beleza do material que vive produzindo.

Com Elisa Lucinda

No livro agora lançado, combina crônicas publicadas desde os anos 1960 com textos atuais e um disco, Nelson 70, com releituras de seus grandes sucessos. Ele tem ainda programas de TV mostrando os bastidores da produção do álbum e dois novos musicais a caminho dos palcos, erntre eles um que vai esmiuçar o talento de Wilson  Simonal, a exemplo do sucesso que foi o musical sobre Tim Maia.
Grande conhecedor da música popular brasileira, ainda jovem passou a frequentar os meios musicais, tornando-se amigo de compositores e de intérpretes da bossa nova. Sempre se dedicando à música, trabalhou no Jornal do Brasil, Última Hora e O Globo, onde mantém até hoje coluna semanal, e também na Rede Globo de Televisão.

Com Jards Macalé

Grande incentivador do rock no Brasil, Nelson Motta produziu o festival Hollywood Rock, no Rio de Janeiro. Foi também responsável pela produção de discos e direção de shows de Gal Costa, Elba Ramalho, Djavan, Sandra de Sá e Leila Pinheiro, na década de 1980. Ainda nos anos de 1980, atuou como roteirista e apresentador, com Eugénia Melo e Castro, da série de televisão “Atlântico”, na emissora RTP, em Portugal. Como escritor publicou diversos livros, entre eles o romance policial O canto da sereia – um noir baiano e a bem-sucedida biografia Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia, que em 2011 foi a base para o espetáculo Tim Maia – O Musical.

Com o fã mexicano Darwing 

No livro lançado quarta-feirfa, um dos pontos de sucesso foi a bela foto em  preto em branco clicada em setembro de 1967 por Paulo Scheuenstuhl, o renomado fotógrafo dos artistas, também presente ao lançamento. Na foto, cercado por artistas consagrados da música brasileira (como Braguinha, Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e jovens como ele que começavam a fazer história (Chico Buarque e Caetano Veloso, entre outros), Nelson Motta, aos 22 anos, estava ali como repórter do Jornal do Brasil, para acompanhar a reunião que planejava uma campanha de renovação do repertório de canções carnavalescas. Motta já exercia o duplo ofício que marcaria sua trajetória: era também um aspirante a compositor apadrinhado por Vinicius e tinha como parceiro Dori Caymmi – a dupla havia vencido no ano anterior o Festival Internacional da Canção (FIC) com a canção Saveiros. Os bastidores desse antológico registro abrem As Sete Vidas de Nelson Motta, projeto biográfico distinto daquele que o autor apresentou em Noites Tropicais (2000).

Com Luiz Carlos Miele e Anita

– Este projeto partiu da Isa Pessoa, editora de 10 livros meus. A ideia foi transformar meus 50 anos de jornalismo em um híbrido, juntando material que estava em uma pasta de recortes que minha mãe tinha, com todas as minhas colunas. Fui escrevendo novos textos para costurar essas crônicas, que nunca mais tinha visto, criando um só fluxo, o que torna a leitura muito agradável – disse Nelson Motta, "feliz com a nova cria".O livro destaca perfis de grandes nomes da MPB ainda em ascensão, cartas que Motta recebeu de Vinicius, Caetano Veloso e Helio Oiticica e recupera impressões, no calor do momento, de shows históricos e passeios de Mick Jagger pelo Rio.

Com Dú Moraes das Frenéticas

– Eu era muito próximo desse pessoal, e as crônicas refletem o clima de companheirismo que existia. Uma carta do Vinicius (enviada de Paris, em 1969) diz muito sobre ele: estava duro, tinha sido expulso do Itamaraty, mas fala de como pode ajudar amigos com uma grana que está por receber.

UM BELO DISCO


As 14 faixas do disco "Nelson 70" destacam parcerias de Nelson Motta, como letrista, de 1967 a 2014 .
–Minha participação se deu na escolha das músicas e dos intérpretes. A ideia foi pegar canções mais conhecidas e umas "lado B". Mas minha ingerência no que cada um fez foi zero – explica Motta.

Paulinho Moska e Elisa Lucinda

Segundo ele, a escolha que mais lhe desafiou foi Como uma Onda, sucesso de 1982 que fez com o então iniciante Lulu Santos para o filme Garota Dourada.
–Depois de ser gravada por Lulu, Tim Maia, Roberto Carlos, Caetano, Simone, o que fazer com Como um Onda? Aí pensei no Jorge Drexler, que tinha me pedido para escrever a apresentação do maravilhoso disco novo dele. Ele podia fazer algo diferente com aquele sotaque. E deu certo. O Jorge brinca dizendo que fez "Como uma milonga". O Lulu ficou emocionadíssimo quando ouviu.

O casal Liège e Luiz Fernando com Elisa

Motta também chama a atenção para a faixa Noturno Carioca, parceira com Erasmo Carlos, cantada por Laila Garin:
–Quem viu Laila como Elis Regina no musical vai ter uma surpresa. É um outro registro, mais jazzy, cool, perfeito para fechar o disco. Nelson 70 traz uma faixa inédita: Nós e o Tempo, dele em parceria com Marisa Monte e César Mendes, que a cantora apresenta na companhia de João Donato.
–Convidei a Marisa, e ela veio com essa música. E, modestamente, que música! É bom para mostrar que o velho está positivo e operante. Esse é o meu trabalho hoje.

Gisela Amaral com amiga em pose para foto

A maravilhosa cantora Joana

Diego Pires Gonçalves e Isa Pessoa

Depois de uma noite badalada de autógrafos, Nelson e Isa em momento de irreverencia na saída da livraria

Lourenço e a cantora Dú Moraes

Nelson e Sylvio Guerra