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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

EXPOSIÇÃO AZUL COBALTO-AZULEJOS E MEMÓRIAS,
DA COLEÇÃO NELSON TORZECKI, UMA VISITA IMPERDÍVEL...





De Luiz Carlos Lourenço
Fotos de divulgação

Com curadoria da arquiteta Cristina Lódi e consultoria da especialista em azulejaria portuguesa, Dora Alcântara, exposição “Azul Cobalto – Azulejos e Memórias”, está aberta na Lapa a exposição AZUL COBALTO- AZULEJOS E MEMÓRIAS, que reúne cerca de 100 painéis estruturados a partir de três mil peças que vão do século XVI ao XX, na Galeria Scenarium. As visitas acontecem de terça a sábado, das 13h às 19h. A entrada é gratuita. 
Um objeto polissêmico portador de múltiplos significados. Produtos da vida cotidiana presente e pretérita, capazes de revelar traços marcantes da sociedade que aqui se formou. Material perfeitamente adaptado à vida nos trópicos, cumprindo uma função utilitária e decorativa, capaz de desvelar influências, gostos, redes de comércio, relações, estórias e memórias. Elemento ao mesmo tempo abrangente, capaz de descrever parte do progresso técnico e cultural da Sociedade Ocidental, restrito e particular, uma vez que foi testemunho da vida cotidiana e doméstica nas cidades. Apresentar parte dessa história é o que pretende a exposição Azul Cobalto – Azulejos e Memórias.  


No final da década de 80, o colecionador e empresário Nelson Torzecki foi seduzido pela arte do azulejo. Contando com o apoio do amigo e sócio Plinio Froes, o colecionador foi mergulhando cada vez mais em sua paixão, e entre feiras e antiquários, foi garimpando essas joias do passado. No decorrer de sua trajetória Nelson Torzecki acumulou um acervo ímpar, constituído por mais de duzentos tipos diferentes de azulejos, totalizando cerca de 3.000 itens, que vão de  peças avulsas a grades painéis azulejares. Esses fragmentos da história, pertencentes a residências, prédios, palacetes e outros tipos de imóveis demolidos ou desocupados nas mais antigas capitais brasileiras consubstanciam-se em um dos mais importantes acervos dentro das linhas de pesquisa da urbanização das cidades, com especial destaque para o Rio de Janeiro. No intuito de reafirmar seu compromisso com o desenvolvimento social e cultural da cidade do Rio de Janeiro, o Instituto Rio Scenarium catalogou e selecionou as principais peças da Coleção de Azulejos Nelson Torzecki, a fim de apresenta-las para o grande público.   


A exposição traz azulejos produzidos em distintos países, como Holanda, França, Bélgica, Portugal, Alemanha e Inglaterra, e discorre sobre a evolução técnica e estilística destes objetos, presentes na arquitetura brasileira desde o século XVII. Da Coleção de Azulejos Nelson Torzecki, destacam-se os acervos de azulejaria holandesa de motivo isolado, produzidos entre os séculos XVII e XX; os azulejos Barroco e Rococó, elaborados em Portugal nos séculos XVIII e XIX, incluindo um antigo painel da igreja do Convento de Santo Antônio, situado na cidade do Rio de Janeiro; traz ainda Registros de Santos existentes nas antigas casas de subúrbio e outros inúmeros azulejos produzidos entre o final do século XIX e inicio do XX, que integraram os interiores e fachadas das edificações de nossas cidades.
Cedido pelo IPHAN, está exposto parte de um painel inédito elaborado por Cândido Portinari para o Palácio Gustavo Capanema, prédio considerado um marco na arquitetura modernista da cidade e do Brasil. A exposição também traz  peças cerâmicas produzidas por outros grandes artistas brasileiros como Ivan Serpa, Anísio Medeiros e Burle Marx. O tema da azulejaria na contemporaneidade será referenciado nos trabalhos de Adriana Varejão, Jorge Selarón, e o Coletivo Muda do Rio de Janeiro.


A exposição Azul Cobalto – Azulejos e Memórias se insere na primeira etapa do desenvolvimento do Circuito Colaborativo Arte e Cultura Scenarium, que visa identificar, selecionar, pesquisar, catalogar e organizar o acervo de obras de arte e antiguidades, acervos documentais, objetos decorativos e mobiliário que compõem o acervo do Grupo Scenarium, buscando reconhecer seu interesse histórico e cultural e, consequentemente, seu interesse público, permitindo assim, sua  incorporação definitiva à Coleção do Instituto Rio Scenarium.
Inédita, a mostra foi elaborada a partir da Coleção Nelson Torzecki, garimpada, ao longo de mais de 20 anos por um dos sócios do Grupo Scenarium (Rio Scenarium, Mangue Seco, Santo Scenarium e Galeria Scenarium), o empresário Nelson Torzecki. Com curadoria da arquiteta Cristina Lódi e consultoria da especialista em azulejaria portuguesa, Dora Alcântara, a exposição é composta por 100 painéis estruturados a partir de três mil peças que vão do século XVI ao XX, algumas nunca expostas anteriormente. "Azul cobalto" ocupa dois andares do casarão revitalizado da Rua do Lavradio, apresentando o uso eclesiástico da azulejaria e a utilização em fachadas, principalmente nas cidades portuárias, o azulejo art nouveau no centro do Rio Antigo e a apropriação da azulejaria na arquitetura moderna.


Entre os destaques do acervo, estão as coleções da azulejaria holandesa de motivo isolado, dos séculos XVII ao XX. Serão expostos também azulejos produzidos em diferentes países, como França, Bélgica, Portugal, Alemanha, Inglaterra, entre outros.
O público poderá perceber a evolução do estilo destes objetos, que marcaram a arquitetura brasileira desde o século XVI, como os azulejos barroco e rococó, elaborados em Portugal nos séculos XVIII e XIX. 
 O espaço promove uma série de atividades pedagógicas direcionadas aos públicos infanto-juvenil, universitários e em geral, até fevereiro de 2015. Além da mostra acontece também mesas redondas com profissionais renomados, exercícios lúdicos e oficinas de conservação e criação de azulejos. 


“O objetivo desse projeto educativo é eternizar memórias, ao aproximar o público do universo da azulejaria, além de trazer para a realidade do expectador os processos de recuperação de peças antigas que ajudem no entendimento sobre o universo do azulejo, tão presente no patrimônio arquitetônico carioca e brasileiro”, explica Cristina Lodi, curadora do projeto.
Nas palestras, são abordados o processo de restauração das peças, sua composição gráfica e o trajeto no país e no mundo. Serão discutidos, também, o colecionismo, a musealização de objetos, a história do percurso da azulejaria nos últimos cinco séculos e curiosidades sobre os períodos estilísticos.
Haverá exibição de vídeos que mostram como foram feitas as recuperações e pesquisas das peças da exposição. Nas oficinas, serão ministradas aulas sobre o processo manual de remoção de resíduos de azulejos antigos e produção a partir da técnica de estampilha.

Exposição “Azul Cobalto – Azulejos e Memórias”

Horário: 13h às 19h
De terça a sábado
Endereço: Rua do Lavradio, nº 15, Centro Antigo, Rio de Janeiro/RJ
Informações: (21) 2252-9138 (novo número)
Entrada gratuita
www.galeriascenarium.com.br

Próxima palestra
Inscrições para palestras e oficinas: (21) 2252-9138 ou www.galeriascenarium.com.br
Data: 21 de novembro
Horário: 10h e 15h
Mesa Redonda 05: História da azulejaria no Brasil, Casas do Patrimônio, Educação e Arte
Sessão da manhã – 95 minutos

Apresentação da linha histórica da azulejaria no Brasil em consonância com a linha do tempo da exposição “Azul Cobalto, Azulejos e Memórias”, por Dora Alcântara, arquiteta, professora e especialista em azulejaria portuguesa no Brasil. Os projetos sócio-culturais do Instituto Rio Scenarium serão apresentados pela diretora Natércia Rossi, na perspectiva da formação, promoção e desenvolvimento sustentável e da economia da cultura. O Projeto Portinari será apresentado pela arte educadora Suely Avelar. O Superintendente do IPHAN-RJ irá desenvolver o conceito da construção das Casas do Patrimônio e as atividades desenvolvidas no Rio de Janeiro, nas Casas de Quiçamã, São Pedro da Aldeia, Petrópolis, Paraty, Rio de Janeiro e Vassouras.

Abertura: 5 min.
Dora Alcantara – 60 minutos
Debates: 30 minutos
Sessão da tarde – 90 minutos

Natércia Rossi – coordenadora do Instituto Rio Scenarium – 20 minutos
Sueli Avelar – educadora do Projeto Portinari – 20 minutos
Ivo Barreto – Superintendente do IPHAN-RJ – 20 minutos