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terça-feira, 16 de setembro de 2014

FAFÁ RESGATA A BOA NOITE CARIOCA
SUPERLOTANDO O THEATRO NET RIO



De Luiz Carlos Lourenço
Fotos de Daniel Marques




Para a alegria dos cariocas e dos centenas de turistas que visitam o Rio, a cantora FAFÁ DE BELÉM  está de volta a Copacabana para apresentar o show musical que já está sendo considerado um dos melhores do ano. "MEU RIO DE MUITOS JANEIROS", que estreou ontem no Net Rio com casa superlotada, é um espetáculo dedicado às noites cariocas que reuniam gerações de cantores, compositores, atores e astros da cena cultural dos anos 70 e 80. Foi nessa época que a cantora, ainda muito jovem e recém-chegada, conquistou o país com sua voz. Ela volta hoje ao palco, recordando o cenário boêmio dos anos 1970 e 1980, quando a geração da época de cantores e compositores frequentava casas noturnas e festas que viviam lotadas de intelectuais e artistas de talento. 


Na noite de ontem, dezenas de notáveis foram assistir e abraçar a cantora, como o crítico musical Mauro Ferreira, a compositora Solange Boeke, os jornalistas e colunistas Cora Ronai e Marcelo Balbio, a atriz, cantora e astróloga Leiloca Neves, eterna Frenética, o cantor Rick Vallen, o ator, diretor, escritor e poeta Gualdino Calixto, o jornalista, blogueiro e assessor de imprensa, Luiz Carlos Lourenço, a cantora Sonia de Paula e a internacional sociality e ex-modelo Bethy Lagardère.


O espetáculo Meu Rio de Muitos Janeiros reúne canções de compositores como Chico Buarque, Tom Jobim, Roberto Menescal e Dolores Duran. “Coração do Agreste”, “Foi Assim”, “Tanto Mar”, “Sedução”, “Olha Maria”, “Minha História” e “Gota D`Água”, “Preconceito” e “Ninguém Me Ama” estão no repertório.Na apresentação de ontem, no Theatro Net Rio, Fafá foi aplaudida de pé e deu um bis lembrando Vapor Barato(Honey Baby), de Jards Macalé e Waly Salomão, Caetano Veloso, imortalizada naquele teatro na voz de Gal Costa.


RESGATE DE UMA ÉPOCA DE OURO


O Rio era uma festa e, culturalmente, parecia ter um manancial inesgotável de talentos. Foi nessa época que Fafá, ainda muito jovem e recém-chegada por essas bandas, conquistou o país com sua voz, carisma, sensualidade.
Acompanhada por um trio de músicos do primeiro time de nossa MPB, a cantora relembra sucessos como “Coração do Agreste” e “Foi Assim”; e fará um passeio pela obra de Chico Buarque – a quem dedicou um álbum inteirinho: o “Tanto Mar”, gravado em 2006. “Sedução”, “Olha Maria”, “Minha História ” e Gota D`Água”), alguns clássicos do repertório de Chico,  se juntaram a outros standards da música brasileira, como “Preconceito” e “Ninguém me ama”, de Antonio Maria e Fernando Lobo, e “Valsa de uma cidade” (Antonio Maria e Ismael Neto (compositores que amavam o Rio mesmo sendo Maria pernambucano e Ismael paraense).


“Criança, ouvia as histórias e imaginava o Rio como um lugar de sonho”, conta Fafá, que, aos 14 anos, mudou-se para a Cidade Maravilhosa com a família. “Minha casa virou um lugar de encontro de música e músicos”, recorda, emocionada. Essas memórias são a base do repertório de Meu Rio de muitos janeiros. 
Apesar de a capital fluminense ser mundialmente conhecida como celeiro do samba, Fafá garante: não sabe cantar o gênero. “Adoro as grandes Beth Carvalho, Alcione, Clara Nunes, Theresa Cristina e os geniais sambistas cariocas. Mas o Rio de Janeiro é bossa nova, que eu já cantava, aos 10 anos, nas serenatas em Belém”, diz ela, que assume sua porção “joão-gilbertiana” no novo show.
Fafá conta que era enorme o repertório de autores cariocas que pretendia apresentar. “Com o Cristóvão, vieram outras tantas canções”, lembra, elogiando o parceiro: “Trabalhamos juntos por muitos anos. Ele é um grande amigo, um dos maiores maestros do mundo”. Em “Meu Rio de muitos janeiros”, a cantora de 58 anos de idade e 39 de carreira dedica o repertório à carioquice boêmia dos anos 70 e 80. Foi nessa época que a paraense, recém-chegada por aqui, conquistou o país com sua voz, seu carisma e sua sensualidade. 


“Nesta cidade eu descobri tanta coisa... Eu e o Rio somos muito perigosos. É muita animação junta!”, brinca Fafá
“Quando criança, em Belém, ficava maravilhada com as capas de revista mostrando o lugar de sonho, com gente bonita e festas fabulosas. Em 1970, meu pai se aposentou e nos mudamos para o Rio. Minha casa aqui na esquina das ruas Aires Saldanha e Xavier da Silveira (Copacabana) tinha as portas abertas, um lençol dobrado e um travesseiro sobre o sofá, um violão encostado e uma panela de comida no fogão, sempre esperando por um conterrâneo sem pouso. Três anos depois, minha família voltou para Belém, o que para mim foi muito duro. Mas em 1975, com 18 anos, fui convidada a gravar “Filho da Bahia” para a trilha da novela “Gabriela”, e vim morar aqui sozinha. Da minha geração, todos queriam ser cariocas”.


“O Rio para mim é Copacabana. Nesse calçadão você encontra tudo: o travesti que está voltando da noitada, a aposentada que está indo com as amigas, todas maquiadas, para a rede de vôlei, o bêbado que ainda está se recuperando, a saradinha que vai dar uns pegas. Isso aqui é um resumo do Brasil. Ser carioca é um estilo, uma descontração, uma atitude. Quem vem para cá incorpora essa atitude. Na praia tudo se mistura, ninguém tem documento. Você encontra o rico, o pobre, o intermediário, o que deve e o que não deve. 


“Estou há 30 anos em São Paulo, mas moro na cadeira 1A do avião. Não sou mais de Belém nem de São Paulo, do Rio ou de Portugal. A música me fez viajar e depois me proporcionou poder viajar. Mas viajo a trabalho ou de férias. Se tenho três dias de folga, pego um avião 
Fafá morou no Rio durante os anos 70 e viveu seus primeiros grandes momentos anos depois como cantora, na Cidade ainda Maravilhosa. Por isso, tem esse carinho especial pela capital fluminense e a decisão de homenageá-la num espetáculo que relembrará uma época 
"ou do Belém do Pará. Na minha infância, a nossa Disneylândia era o Rio de Janeiro. 



Todos não nascidos nesta cidade queriam ser cariocas. (risos). Cresci fantasiando o que seria esta cidade de sonhos e glamour que via nas páginas das revistas "O Cruzeiro", "Manchete", "Fatos e Fotos", entre outras. Gente bonita, noites e música. Enfim, é este Rio que canto. Dos anos 60 até mais recentemente.O Rio de Janeiro sempre será mágico, sedutor, hedonista. E na música, eu não sei delimitar espaços. Há boa música e música ruim.  Só não canto o Leco Leco, brinca. 









Caras e bocas, lindas!

Linda Fafá com o ator Gualdino Calixto

Leiloca, Fafá, Cora Ronai e um amigo

Ricky Vallen e seu amigo, Lourenço, Eulália Figueiredo e Gualdino Calixto

Leiloca, Beth Lagardere e Luiz Carlos Lourenço

O ator Gualdino Calixto, Luiz Carlos Lourenço e Leiloca