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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Do Almanaque Gaúcho

Três obras de João Faria Vianna voltam ao Estado do Rio  grande do Sul

Gravura reproduz as docas do cais do Porto da Capital. Foto: Reprodução

Gravura reproduz as docas do cais do Porto da Capital. Foto: Reprodução

Não se sabe como três das clássicas gravuras de João Faria Vianna foram parar em Sergipe. Mas é certo que, na semana passada, elas voltaram para casa. O responsável pelo retorno foi o jornalista Cláudio Dienstmann, que, furungando na rede, encontrou os trabalhos sendo leiloados naquele Estado, os adquiriu e, com zelo, encaminhou-os às mãos habilidosas do Atelier Alice Prati de Restaurações, para um processo de limpeza e conservação.


Gravura mostra o casario colonial da Rua da Praia. Foto: Reprodução
Gravura mostra o casario colonial da Rua da Praia. Foto: Reprodução

Os pequenos e lindos quadros, de mais de 70 anos, estão duplamente assinados, na placa e fora. Portanto, as gravuras foram impressas e firmadas pelo artista enquanto vivo. Elas medem 47 centímetros de largura por 32 de altura. As cenas mostram uma Porto Alegre antiga – esse, aliás, o tema principal do gravador, pintor e desenhista.

Gravura mostra, no fundo, à esquerda, o Mercado Público de Porto Alegre, quando ainda tinha só um andar. Foto: Reprodução
Gravura mostra, no fundo, à esquerda, o Mercado Público de Porto Alegre, quando ainda tinha só um andar. Foto: Reprodução

João Faria Vianna nasceu e morreu na Capital (1905-1975) e era um apaixonado pela cidade. Os desenhos foram produzidos sob encomenda, em 1940, e dois deles foram publicados originalmente – com excelente qualidade – no raro livro Imagens sentimentais da cidade, de Athos Damasceno Ferreira. Faria Vianna foi também professor, ilustrador da Revista do Globo e, em 1938, fundou a Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa (cujo nome homenageia o Aleijadinho), tendo sido o seu primeiro presidente.

O professor Faria Vianna, em 1970. Foto: Banco de Dados, 06/11/1970
O professor Faria Vianna, em 1970. Foto: Banco de Dados, 06/11/1970

No Brasil, obteve diversas premiações. Existem obras dele em várias coleções particulares nos Estados Unidos da América, Inglaterra, França, Portugal e Itália, o que de certa forma explica a presença destas no nordeste brasileiro. As cenas, baseadas em antigas fotos do final do século 19, reproduzem as docas, o antigo Mercado Público e o casario colonial da Rua da Praia.

A restauradora Elisane Quintana, do Atelier Alice Prati de Restaurações, trabalhando nas obras. Foto: Alice Prati, Arquivgo Pessoal
A restauradora Elisane Quintana, do Atelier Alice Prati de Restaurações, trabalhando nas obras. Foto: Alice Prati, Arquivgo Pessoal