Pesquisar

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

BRANDANI ETERNIZA GRAFITANDO EM DISCOS DE VINIL, 
O MELHOR  DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA



De Luiz Carlos Lourenço
Fotos de Daniel Marques


Seu nome de batismo é André Fernando de Carvalho Brandão, nascido em Belo Horizonte, nos anos 60, mas é com o nome artístico de ANDREA BRANDANI ou simplesmente Dé,  ficou internacionalmente conhecido no mundo das artes e nas principais ruas de Ipanema, como o criador das mais belas esculturas trabalhadas em árvores mortas nos canteiros do bairro e pelos grafites espalhados pelos muros e portas de lojas comerciais da Zona Sul.


No momento, ANDREA prepara-se para alçar mais um grande voo em sua carreira, com um objetivo de ajudar no resgate da memória da nossa Música Popular Brasileira. Está concluindo os grafites dos rostos de mais de 500 cantores e compositores famosos, eternizados em spray colorido em antigos discos de vinil. Para expor seu trabalho, até o final deste ano, ele está convidado o musicólogo, pesquisador e produtor musical Ricardo Cravo Albin para ser o curador de sua exposição, que homenageia "la créme de la  créme" de nossa MPB.


ARTISTA POLIVALENTE


Em seus "grafites musicais", difícil é não encontrar um músico de renome, de Ary Barroso a Silvio Caldas, de Caetano Veloso a Nara Leão. Todos passam pelas suas mãos e pelas latas de colorjet. Ali surgem Elis Regina, duplas sertanejas, Silvio Santos, Adriana Calcanhotto e Paulo Ricardo, assim como Dorival Caymmi e toda a sua musical família.

Andrea revela que  sempre soube que seria pintor. Começou a pintar sob a influência do pai, Hélio, e da irmã, Heliana, que à época estudava pintura em Belo Horizonte com Bracher. Aos quatro anos pintou seu primeiro quadro, um auto-retrato, seguido de uma série de desenhos inspirados na paisagem de sua cidade e nas igrejas de Guignard. Aos dezessete anos, criou a série de abstratos geométricos e a série de queimados. Aos dezoito, mudou-se para o Rio de Janeiro trazendo na bagagem um grande estojo de tintas, presente da irmã. 

Construiu também grande série de navios dentro de garrafas, criando batalhas navais, portos, cidades e temas históricos, tendo realizado exposição no cassino de Póvoa de Varsin, em Portugal, em 1983. De 1980 a 1987 fez centenas de estudos de obras de Van Gogh, incluindo todos os auto-retratos, além de inúmeros quadros de Paul Gaugin, Picasso e Di Cavalcanti e temas próprios, tendo então criado séries de retratos e auto-retratos. Já a série Ipanema foi inspirada em uma tela de seu irmão escultor, Márcio, e a série Ônibus, no pintor Adriano Mandiavach. Por volta de 1990, surgiram as séries Elefantes, Flying Flowers, still life, sempre dando continuidade aos antigos temas. 

A partir de 1998 começou a pintar a via sacra, homenageando Gaugin e Guignard com elementos de Polock.Na sequência veio a série Window's cujo tema Flying Flower's é pintado em janelas antigas, encontradas em demolição. Atualmente trabalha alternada e profusamente todos os seus temas, dando especial atenção às séries eróticas e a série que atualmente toma todo o seu tempo atual, retratando os rostos que apontam o melhor da Musica Popular Brasileira. Em seu atelier, na rua Vinicius de Moraes, mantém acervo de mais de duzentas pinturas de grandes dimensões.

O jornalista Luiz Carlos Lourenço e Andrea Brandani