Pesquisar

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

ADRIANA CALCANHOTTO AUTOGRAFA NA TRAVESSA
DO LEBLON A SUA ANTOLOGIA '" HAICAI DO BRASIL"




De Luiz Carlos Lourenço
Fotos de Daniel Marques


O haicai é a forma de poesia hoje mais praticada no Brasil. Mais que o soneto no século XIX. São tantos os caminhos e vertentes, que configura muitas vezes uma arte nossa, própria, assumindo ao longo da história as estações do ano de nossa terra, e sendo influenciada pelas diferentes escolas literárias brasileiras, como o Modernismo e a Poesia Concreta. Bebendo nesta fonte, a cantora, compositora, cronista e escritora ADRIANA CALCANHOTTO reuniu dezenas de amigos e fãs para o lançamento, na noite de ontem, segunda-feira(25), a partir das 19 h, na Livraria da Travessa, no Leblon, do seu livro "Haicai do Brasil".
Participaram da noite de autógrafos o premiado fotógrafo Evandro Teixeira, o ator Lino Correa, a apresentadora Leilane Neubarth, o jornalista Luiz Carlos Lourenço e os amigos Odair Barbetta e Neverson Nogueira.

Dedicado ao Jornalista Luiz Carlos Lourenço








Nesta antologia, Adriana Calcanhotto apresenta um rico panorama, reunindo no mesmo espaço nomes consagrados e menos conhecidos da literatura brasileira, como Carlos Drummond de Andrade, Paulo Leminski, Erico Verissimo, Millôr Fernandes, Teruko Oda, Carlos Verçosa, Glauco Mattoso e muitos outros, que se encantaram por essa forma potente de poesia, a mais sintética de todas. Mergulhando neste universo, ela escolheu ainda Oswald de Andrade e Manuel Bandeira que também foram autores selecionados por Adriana Calcanhotto para o livro “Haicai do Brasil”, que a Edições de Janeiro tornou público na última Flip, em Paraty.
Haicai vem de haikai, palavra composta japonesa que significa brincadeira (hai) e harmonia (kay). Pela regra, eles têm dezessete sílabas, mas o rígido padrão japonês não se manteve entre os autores nacionais.

Adriana e Luiz Carlos Lourenço


“Lá fora o luar continua/ E o trem divide o Brasil/ Como um meridiano”, de Oswald de Andrade, é um dos haicais do livro de Adriana.
Segundo informe da Cleo Guimarães, da coluna Gente Boa, do jornal O Globo, pouca gente sabe, mas a sonda Maven, que que chega mês que vem à orbitra de Martge, enviada pela Nasda, teum um haicai do brasileiro Donny Correia, acoplado no foguete. O haicai é "Matiz rubra do além/onde o nada vive, dizem/Agora venha á vida"

Adriana com o grande ator Lino Corrêa

Eruko Oda, brasileira, filha de imigrantes japoneses, é considerada pelos especialistas em Haicai a melhor haicaísta contemporânea do Brasil. Ela teve contato com este gênero poético ainda na infância: seus pais eram praticantes de haiku (composições em japonês) e as reuniões eram, muitas vezes, realizadas na residência da família.Porém sua verdadeira iniciação seguida de o estudo sistemático e prática como filosofia de vida deu-se apenas no final dos anos oitenta sob a orientação de um dos mestres do Haicai, H. Masuda. Teruko começou a frequentar as reuniões do então recém-fundado Grêmio Ipê, grupo voltado à produção de haicais.

A maravilhosa cantora com o fotógrafo Daniel Marques
Clique de Luiz Carlos Lourenço

Nascida na pequena Pereira Barreto, Teruko se diz caipira de berço e coração. "A natureza é para mim repositório de energia vital e fonte de inspiração, não apenas na composição de haicais, mas para tudo na vida", diz. "Penso que haicai não é poema que se resolve por si. Há uma filosofia milenar que lhe dá sustentação e nos cobra, antes de tudo, uma atitude, um jeito de ser e de ver o mundo. Justamente por isso, o que mais me encanta nesse estilo é a prática do desapego, da não interferência do autor no assunto do poema. Um texto breve e conciso, restrito ao essencial, o haicai nos mostra que nada é permanente, nada nos pertence, nem mesmo nossa própria vida. Pode haver fascínio maior do que buscar esse entendimento?".

Adriana com o nosso querido amigo Ismael Santos