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sexta-feira, 4 de julho de 2014

MOVIMENTO GAY AGITA A LAPA FAZENDO
UM ATO SHOW LEMBRANDO STONEWALL



De Luiz Carlos Lourenço
Fotos de Daniel Marques



Exatamente há 45 anos, os direitos LGBT ganharam as primeiras páginas dos jornais do mundo inteiro, com a chamada rebelião de Stonewall, um bar gay, em Nova York, que os policiais constantemente faziam batidas, extorquiam dinheiro dos frequentadores, prendiam e humilhavam os homossexuais. Capitaneado pelas travestis, no dia 28 de junho de 1969, seus frequentadores resolveram dar um basta durante mais uma blitz policial e as ruas do Village tiveram seus dias e noites de guerrilha, provando que, sim, podemos ser delicados (ou não), femininos (ou não), mas também eram combativos e guerreiros, diferente do discurso que tentavam imprimir.
Para comemorar a data, dezenas de artistas da noite carioca, devidamente “montadas”, sob a direção do estilista Almir França, atual Presidente do Grupo Arco Íris, e de outras lideranças da classe, como Claudio Nascimento, Júlio Moreira, Jane Di Castro e Luana Muniz , fizeram a Lapa se transformar num desfile aplaudido, mesmo com um tom carnavalesco. A manifestação foi seguida de uma grande confraternização na casa de show Sinônimo, na Rua Men de Sá, 118, no bairro boêmio da Lapa.


Recordando o fato ocorrido nos EUA há 45 anos, alguns gays comentaram também que a histórica data foi um verdadeiro divisor de águas:
_Depois do fato ocorrido em 69, Lembra Almir França, pela primeira vez, os manifestantes não seguiram as regras rígidas e, em número recorde, fizeram uma festa generalizada, cada qual vestido da maneira que quisesse. Foi a partir daí que se fundou a Gay Liberation Front e pela primeira vez na história americana, os homossexuais decidiram resistir às injustiças cotidianas, Hoje, nos Estados Unidos está repleto de bares e restaurantes seguros para o público LGBTT, as leis anti-sodomia foram abolidas e diversos estados já legalizaram a união civil homossexual. O dia 28 de junho de 1969 foi, sem dúvidas, um marco histórico para a causa.


PRESENÇAS COLORIDAS



Entre os inúmeros artistas que se apresentaram ou dançaram no Sinônimo, ontem à noite, destacaram-se as cantoras Aline Barros, Cristina Grecco, Elza Ribeiro, Flavia Maqui, Juliana Faina e Biano Rafa. Com as roupas coloridas e criativas brilharam na festa Magaly Penélope, Sula Lastorine, Danny Davalon, Desirée, Karina Karão e Eula Rochard. E muito alegres e fazendo brincadeiras com os fotógrafos, posavam com trejeitos Bruna Bee, Jade Karr, Jakeline Ucho, Lili Carabina, Marcela Saint Laurent, Samara Rios e Paulette Godart.


A travesti Jane Di Castro que subiu ao palco para cantar sambas e um dos maiores sucessos da cantora francesa Edith Piaf, “Non je ne regrette a rien”, falou a este blog do seu orgulho de participar da festa
_Estou lutando por esta causa há 47 anos e a situação vai melhorando, gradativamente. Hoje mais da metade das pessoas nas Américas e Europa já vivem em jurisdições onde há Casamento Igualitário ou União Civil. Vamos continuar lutando para estimular o consciente coletivo LGBT.