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sábado, 26 de julho de 2014

Do Almanaque Gaúcho, ZH.


A VIAGEM ENTRE RIO DE JANEIRO E RECIFE NO GRAF ZEPPELIN

Foto: Reprodução
                                         O bilhete para a viagem entre Rio de Janeiro e Recife. Foto: Reprodução

Por Jair Paulo Schaparini

Jair Paulo Schaparini, 51 anos, trabalha para a Infraero com navegação aérea. Um dia desses, encontrou entre os papéis guardados pela família de sua mulher, Karen, um bilhete de passagem aérea com o número 0469. A viagem ocorreu no dia 21 de setembro de 1933, entre as cidades do Rio de Janeiro e Recife, e o passageiro foi José Antonio Fernandes, bisavô de Karen. A surpresa maior foi constatar que a aeronave empregada para cumprir o longo percurso foi nada mais nada menos do que o gigantesco dirigível alemão Graf Zeppelin.

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                                          Detalhe com o nome do passageiro. Foto: Reprodução

A viagem durava dois dias e só podia ser paga por gente abonada, como o português Fernandes, que era sócio de uma grande casa de ferragens em Porto Alegre, chamada Santos Rocha e Cia, e resolveu aproveitar as férias para viver aquela aventura. Ele também fez longas viagens de navio para o Exterior, mas voar no Zeppelin deve ter sido uma experiência e tanto.

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Postal mostra o dirigível no céu do Rio de Janeiro. Foto: Reprodução

O enorme dirigível tinha mais de 200 metros de comprimento (um Boeing 747 Jumbo mede 76 metros) e cinco motores. Levava 20 passageiros acomodados em luxuosos camarotes, a uma velocidade máxima de 128 quilômetros por hora. A tripulação chegava a 45 pessoas. O primeiro voo intercontinental do Graf Zeppelin foi entre Frankfurt e Nova York, em setembro de 1928, e consumiu 112 horas (mais de quatro dias).


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O Graf Zeppelin sobrevoando Recife. Foto: Reprodução

Ao longo de sete anos, entre 1930 e 1937, a presença desses gigantes do ar era comum nos céus brasileiros, mas eles só faziam paradas para reabastecimento, embarque e desembarque de passageiros e cargas em Recife e no Rio de Janeiro. A tragédia com o dirigível Hindenburg, em maio de 1937, nos EUA, na qual morreram 35 pessoas, decretou o fim de uma era. Os voos nesse tipo de nave foram interrompidos e, em 1940, as que restavam foram desmanchadas.