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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Uma bela lembrança da interessante página "Almanaque Gaúcho", do Ricardo Chaves, na 
Zero Hora...


QUEM NUNCA BRINCOU COM ISSO?????



Foto: QUEM NUNCA BRINCOU COM ISSO?????

Uma bela lembrança da interessante página "Almanaque Gaúcho", do Ricardo Chaves, na Zero Hora....

OS CARRINHOS DE LOMBA E A PREOCUPAÇÃO DOS PAIS...

No final da década de 1950, minha família mudou-se da Vila dos Comerciários para o Centro. A vila, com suas casinhas quase todas iguais, naquela época, era um bairro afastado, recém-constituído, escondido atrás do Morro Santa Teresa (onde hoje está a Avenida Moab Caldas, ou Avenida Tronco). Nós fomos morar numa daquelas casas geminadas da Rua Fernando Machado, próximo da escadaria que existe entre ela e a Rua João Manoel. Passei, então, a estudar no Grupo Escolar Paula Soares, situado naquela ladeira da Rua General Auto, entre a Duque de Caxias e a Fernando Machado, que é uma das lombas mais íngrimes da cidade.

Ali vivi as mais vertiginosas emoções da minha infância e adolescência. Nada ligado aos estudos, ou ao colégio, por supuesto. Por mais incrível que pareça, eu e meus amigos, a bordo de precários carrinhos, descíamos aquela rua em desabalada carreira. Lá embaixo, no final da calçada, a esquina não deixava outra alternativa: ou fazia-se a curva à esquerda, com grave risco para eventuais pedestres, ou (quando descíamos pelo lado direito) tirávamos os pés do eixo dianteiro, esticando as pernas à frente, para estourar contra um tapume que protegia a obra do edifício em construção naquele canto. Loucura!

É verdade que as rodinhas que usávamos não eram metálicas, de rolamentos (rolimãs), como nos carrinhos que disputavam as competições na Rua Dom Pedro II. Nos nossos, eram de madeira, feitas com núcleos descartados das enormes bobinas de papel jornal, colhidos nos latões de lixo das empresas jornalísticas que tinham suas rotativas instaladas no centro da cidade. Não sei se de fato aconteceu, mas a notícia da morte de um garoto (seria de uma outra turma), que não conseguiu parar e acabou atropelado por um carro, foi o argumento usado por nossos pais para acabar com a brincadeira. Mas, enquanto durou, que foi bom, foi!
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Fotografado pelo pai, José Abraham, Alfonso (primeiro carrinho à esquerda) participa de uma das corridas na Rua Dom Pedro II. Foto: José Abraham, Acervo de Alfonso Abraham
Fotografado pelo pai, José Abraham, Alfonso (primeiro carrinho à esquerda) participa de uma das corridas na Rua Dom Pedro II. Foto: José Abraham, Acervo de Alfonso Abraham



OS CARRINHOS DE LOMBA E A PREOCUPAÇÃO DOS PAIS...

No final da década de 1950, minha família mudou-se da Vila dos Comerciários para o Centro. A vila, com suas casinhas quase todas iguais, naquela época, era um bairro afastado, recém-constituído, escondido atrás do Morro Santa Teresa (onde hoje está a Avenida Moab Caldas, ou Avenida Tronco). Nós fomos morar numa daquelas casas geminadas da Rua Fernando Machado, próximo da escadaria que existe entre ela e a Rua João Manoel. Passei, então, a estudar no Grupo Escolar Paula Soares, situado naquela ladeira da Rua General Auto, entre a Duque de Caxias e a Fernando Machado, que é uma das lombas mais íngrimes da cidade.

Ali vivi as mais vertiginosas emoções da minha infância e adolescência. Nada ligado aos estudos, ou ao colégio, por supuesto. Por mais incrível que pareça, eu e meus amigos, a bordo de precários carrinhos, descíamos aquela rua em desabalada carreira. Lá embaixo, no final da calçada, a esquina não deixava outra alternativa: ou fazia-se a curva à esquerda, com grave risco para eventuais pedestres, ou (quando descíamos pelo lado direito) tirávamos os pés do eixo dianteiro, esticando as pernas à frente, para estourar contra um tapume que protegia a obra do edifício em construção naquele canto. Loucura!

É verdade que as rodinhas que usávamos não eram metálicas, de rolamentos (rolimãs), como nos carrinhos que disputavam as competições na Rua Dom Pedro II. Nos nossos, eram de madeira, feitas com núcleos descartados das enormes bobinas de papel jornal, colhidos nos latões de lixo das empresas jornalísticas que tinham suas rotativas instaladas no centro da cidade. Não sei se de fato aconteceu, mas a notícia da morte de um garoto (seria de uma outra turma), que não conseguiu parar e acabou atropelado por um carro, foi o argumento usado por nossos pais para acabar com a brincadeira. Mas, enquanto durou, que foi bom, foi!