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sábado, 24 de maio de 2014


PELOTAS, A LATA DE CAFÉ E O ANTIQUÁRIO


Foto: Mauri Rodrigues da Silva, Arquivo Pessoal
Lata do café Castelo. Foto: Mauri Rodrigues da Silva, Arquivo Pessoal

Quando Rubem morreu, em 2009, seu filho Mauri Rodrigues da Silva cumpria a dolorosa missão de separar as coisas que pertenceram ao pai, quando encontrou, cheia de pregos enferrujados e parafusos usados, uma velha lata que um dia fora embalagem de café. Mauri, que tem apreço por objetos que nos remetam ao passado, curtiu o rótulo impresso no metal e esmaecido pelo tempo.


Foto: Mauri Rodrigues da Silva, Arquivo Pessoal
Verso da embalagem de café. Foto: Mauri Rodrigues da Silva, Arquivo Pessoal

Esvaziou, limpou o recipiente e foi para o computador postar a foto que fez para ver se alguém agregava alguma informação. Nada. Enviou, então, a imagem para nós, do Almanaque. Estimulados pela curiosidade de Mauri, colocamos no Google o endereço da Torrefação e Moagem de Café Castelo Ltda. (Rua D. Pedro II, 1.018, Pelotas), que estava grafado na lata, para ver o que acontecia.


Foto: Mauri Rodrigues da Silva, Arquivo Pessoal
Detalhe da lata, com o antigo endereço da torrefação. Foto: Mauri Rodrigues da Silva, Arquivo Pessoal


Nesse lugar encontramos um antiquário que leva o mesmo nome da torrefação, “Bric Castelo”, e um número de telefone. Ligamos. Do outro lado da linha, o pelotense João Fagundes, 56 anos, sócio de Paulo Leal e um dos proprietários da loja, contou: “quando eu era garoto, lá por 1964 ou 1965, eu visitava meus tios e primos numa casa aqui ao lado e sempre sentia o forte e agradável aroma de café torrado. Depois de viver mais de 30 anos na Capital, voltei a Pelotas, aluguei essa casa e abrimos o antiquário. Recordei que era exatamente aqui que torravam e moíam o Café Castelo. Lembrei do cheiro e batizamos a loja. Uma vez entraram clientes e perguntaram o porquê do nome. Contei a história, disseram-me ser daqui e descendentes dos antigos donos do Café Castelo. Simpáticos, compraram algo e pediram que fosse entregue no Jardim Lindoia, em Porto Alegre”.

Será que aquela família ainda tem uma lata como essa que Mauri preserva com tanto zelo? Se não tem, certamente, gostariam de tê-la. Relíquia.


Foto: João Fagundes, Arquivo Pessoal
Um antiquário fica no lugar onde era a torrefação de café Castelo. Foto: João Fagundes, Arquivo Pessoal

Foto: João Fagundes, Arquivo Pessoal
O local recebeu o mesmo nome da torrefação. Foto: João Fagundes, Arquivo Pessoal



Fonte>> Almanaque Gaucho, da Zero Hora