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segunda-feira, 26 de maio de 2014

ALCIONE CANTA NESTA QUARTA EM 
SHOW DE TÁRCIO NO TEATRO RIVAL  




   
De Luiz Carlos Lourenço
Fotos de Daniel Marques 



 O CD"Escuta ", o novo álbum do cantor TÁRCIO CARDO, recém saído do forno, fruto de uma parceria entre a Marrom Music e a Biscoito Fino, tem seu lançamento programado para esta quarta-feira, dia dia 28, às 19h30m, no Teatro Rival Petrobras. O show, contará com participações especiais de Alcione e João Donato e apresenta um repertório baseado no mais recente CD do artista "apadrinhado" por Ivan Lins e que chega ao mercado com  tantos outros avais importantes como, por exemplo, o do  músico e produtor Roberto Menescal com quem Tárcio trabalhou durante um bom tempo. Dele, fala Menescal:"-Conheci Tárcio muito jovem, tentando entrar nessa “loucura” que é a vida de artista, e acompanhei de perto, às vezes de dentro, suas primeiras gravações, quando já mostrava que veio mesmo para ficar na música, em definitivo”.



Como o  espetáculo de lançamento também faz parte das comemorações pelos 80 anos do  Rival Petrobras, Tárcio fez questão de comentar a respeito deste teatro, quase centenário, que faz parte da história cultural de nosso país: "- Tenho que admitir a felicidade em fazer parte das comemorações pelos 80 anos de resistência cultural do teatro Rival, o lugar que hoje é um dos principais palcos da MPB no Rio de Janeiro... No final da década de 90, fiz minha estreia por lá, e estou muito ansioso para voltar a cantar neste mesmo sagrado espaço dedicado tantos anos à arte! Viva o Rival!".

Tárcio Cardo, cantor, compositor, em seu terceiro álbum, depois de uma longa estada fora do país, volta ao Brasil para mostrar um pouco do talento que encantou tantos outros artistas e o fez também participar do novo dvd de Alcione, "Eterna alegria" ( que está indo para as lojas este mês).

Segundo o texto de apresentação do artista, assinado pelo jornalista e crítico Leonardo Lichote,  o compositor Johnny Alf telefonou para Tárcio e queria só dar parabéns, elogiar a gravação que ouvira de sua “Escuta”. Tárcio Cardo desligou o telefone emocionado – a música havia sido gravada ao vivo, num programa de rádio, e entrara na programação. Ali decidiu que seu próximo disco – em 2003, ele lançou “Congraçamento”, que tinha participações de Caetano Veloso, Ivan Lins e João Bosco – teria a canção e, mais do que isso, seria batizado com seu nome. Mas “Escuta” (Marrom Music/ Biscoito Fino), que chega agora às lojas, carrega uma inspiração vinda de Alf que vai além dessa primeira conexão mais evidente. A abordagem moderna e elegante sobre o samba, o olhar malicioso e mulato sobre o jazz – é esse espírito, tributário ao pioneiro da bossa nova, que atravessa o álbum. 


Mas não se trata de um disco de regravações de músicas daquele período. A aproximação que Tárcio faz desse universo é pela alma. Já na abertura, com “A rã” (Caetano Veloso/ João Donato) em suingue irresistível (arranjo que traz a assinatura, no sentido literal e no figurado, de Durval Ferreira), se percebe a ligação com a questão rítmica central que se desdobrou da bossa nova: os suingues do samba e do jazz se encontrando. O cantor já mostra ali sua técnica, na construção de divisões que bailam, sutil e alternadamente, com piano, sax e guitarra. De forma mais sutil, isso se mostra também em “Samba de verão” (Marcos Valle/ Paulo Sergio Valle). 

Durval assina o arranjo de mais uma música do disco. Os outros são divididos entre Hélio Delmiro e Luiz Avellar. A presença de grandes nomes não se restringe aos arranjadores - que também atuam como músicos em “Escuta”. A ficha técnica escala instrumentistas como Jorge Helder, Jurim Moreira e Ricardo Silveira. 
Espalhar as canções entre três arranjadores foi uma ideia que nasceu já no início do projeto: 
- Chamei os três arranjadores que além de talentosos e geniais tinham e têm um estilo próprio de escrever arranjos... Definitivamente, eu não queria que o trabalho soasse muito coeso com relação aos arranjos - diz o cantor, que explica a distância de dez anos entre "Congraçamento" e "Escuta". - Fui para Nova York em 2004 e acabei ficando mais do que esperava, não pisei no Brasil por sete anos. Experimentei os clubes de jazz de Manhattan até sentir saudades de Salvador. 

Vindo na sequência do calor do baile de “A rã”, “Escuta”, a canção, instaura outro clima, mais cool e romântico, com arranjo de Delmiro. Um romantismo moderno e doce (Johnny Alf, em suma) que se projeta sobre todo o disco – em diferentes faces, ora mais clássico, ora mais contemporânea. “Dora”, de Dorival Caymmi (quem mais doce, quem mais moderno?), traz esse romantismo cool atravessado pela guitarra cool e etérea de Silveira. “Velho arvoredo”, de Delmiro com Paulo César Pinheiro, é nostálgica até a raiz, qualidade valorizada pelo violão de seu autor, único instrumento na faixa. No clássico “A noite do meu bem”, de Dolores Duran, o desejo pela “ternura de mãos se encontrando”é cantado sobre uma atmosfera Gotan Project. “Gatinha manhosa” - com interpretação tributária à leitura de Erasmo e harmonia joãogilbertiana repleta de dissonâncias - ganha elegância com o trompete de Paulinho Trompete. “Imagens”, de Tárcio e Tarci, como boa parte da safra própria do cantor (“Jolie”, que entra no disco também com versão remixada por Sacha Amback, e “Calendário”), é profundamente amorosa também. 

A outra parceira de Tárcio que está no disco é “From Bahia”, que aponta para outro lado. Ela brinca com a linguagem da bossa nova, aplicando-a ao cenário de Salvador. A canção passeia pelo litoral de Salvador como se fosse Copacabana. Como se Os Cariocas fossem soteropolitanos.

Seja no tratamento que dá a Caymmi ou Donato, seja na produção própria, Tárcio não opõe o desejo do pop e a sofisticação de quem mira mais longe. "Jolie", que combina o apelo imediato de balada soul de violinos sintetizados (e versos como "juntos no infinito azul") ao sax apuradíssimo do jazzman americano Ernie Watts, é exemplo bem acabado dessa vocação do artista. 

“Escuta” é isso. Pede atenção no delicado imperativo do nome, que evoca a elegância de Alf. E ali, seja no ritmo de “A rã”, seja na segurança no trançado de graves e agudos da melodia de “Velho arvoredo”, fica evidente a distinção de Tárcio em seu ofício, o de cantor popular. 



FICHA TÉCNICA DO SHOW 
Banda

Violão: Ciron Silva
Guitarra: João Castilho
Teclados: Leandro Freixo
Contrabaixo: Nema Antunes
Bateria: Téo Lima
Percussão: Jakaré

Direção musical: Ciron Silva
Direção Geral: Gaspar Filho
Ingressos:
R$ 50 (Inteira)
R$ 35 (Promoção para os 200 primeiros pagantes)
R$ 25 (Estudante/Idoso/Professor da rede municipal)
Capacidade: 458 lugares/ Classificação: 16 anos
  
Assessoria de Imprensa de Eulália Figueiredo 
(21 - 9 - 8606.3076 / 2636.5630)