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segunda-feira, 28 de abril de 2014

LIVRO COM BIOGRAFIA DE DORIVAL CAYMMI
TEM LANÇAMENTO BADALADO NO LEBLON





De Luiz Carlos lourenço 
Fotos de Daniel Marques 



Com a presença de dezenas de notáveis, incluindo a atriz Fernanda Montenegro e a novelista Glória Perez, aconteceu na noite de ontem o festivo lançamento do livro " Dorival Caymmi - O mar e o tempo ", na Livraria Travessa do Leblon. A obra, de autoria de Stella Caymmi, , sua neta, é o resultado de dez anos de minuciosa pesquisa e revela a trajetória completa de Dorival Caymmi - um brasileiro exemplar, homem simples, sensível, e que dedicou sua vida à música e à felicidade. A detalhada biografia, com mais de 600 páginas, tem cerca de 300 imagens, entre elas a reprodução dos quadros pintados por Dorival.

O bate papo de Maria Beltrão e Stella Caymmi sobre o compositor

Ao chegar, Fernanda Montenegro beija a autora carinhosamente apelidada como Stelinha

O lançamento faz parte da celebração do centenário do artista, que se comemora esta semana, e que terá ainda lançamentos de disco, uma missa a ser celebrada em Copacabana amanhã, dia 30, e vários shows que acontecerão durante todo o ano de 2014.
Antes de começar a autografar para centenas de pessoas que esperavam a dedicatória de Stella, de sua mãe Nana e de seus tios, Daniel e Dori Caymmi, aconteceu um bate-papo animado entre a autora do livro e a a jornalista Maria Beltrão, ambas recordando lembrando divertidas passagens da vida do compositor baiano, incluindo curiosidades  de suas andanças na Bahia e no Rio de Janeiro como cantor, compositor e artista plástico. Quase no final do bate-papo, o público que assistiu a conversa das duas jornalistas aproveitou para cantar o Parabéns a Você para Nana Caymmi, que está aniversariando  nesta terça-feira.

A familia  Caymmi unida no lançamento

O primeiro autógrafo de Stella Caymmi na noite foi dado no livro entregue a um representante do jornalista, radialista e escritor José de Paiva Netto, diretor presidente da Legião da Boa Vontade cujos pais, Bruno Simões de Paiva e Idalina Cecília de Paiva, quando se casaram, há 72 anos, tiveram como padrinho Dorival Caymmi, ainda desconhecido como grande músico e compositor.
Entre as diversas personalidades que foram ao lançamento de Stella, além da atriz Fernanda Montenegro e da novelista Glória Perez,  destacavam-se o diretor do projeto Música no Museu, Sérgio Costa e Silva, o fotógrafo Marco Rodrigues, as cantoras Cinara e Cibele, do grupo Quarteto em Ci, e o iluminador de teatro e de shows musicais, Luis Carlos Bimbão.

Glória Perez, Danilo Caymmi e Fernanda Montenegro

Stella revelou que foi durante a pesquisa para escrever a biografia do avô, 'Dorival Caymmi – O mar e o tempo'), se aprofundou especialmente na chamada era do rádio, quando se apaixonou pelo período, compreendido entre 1930 até meados de 1950, para escrever também 'O que é que a baiana tem? Dorival Caymmi na era do rádio', que já havia lançado pela Civilização Brasileira. 
“Como é a época em que meu avô aparece na cena, aprofundei-me muito no período”, recorda Stella, autora, também, de 'Caymmi e a bossa nova' (Íbis Libris, 2008), cujo projeto ainda prevê um quarto livro sobre o avô, reunindo as mais de 80 entrevistas que fez com o cantor e compositor baiano. Filha da cantora Nana Caymmi com o médico venezuelano Gilberto Jose Aponte Paoli, Stella Caymmi,escritora, professora e também jornalista, lembrou que o rádio sempre foi presença marcante na família Caymmi. 

O livro de Dorival Caymmi

“Nas férias e feriados em que ia para o Sítio Maracangalha, na Baixada Fluminense, acordava cedo ao som do rádio que meus avós já estavam ouvindo na cozinha”, afirma a neta, orgulhosa da formação que teve. Depois de se debruçar sobre a bossa nova, tema de sua dissertação de mestrado, a escritora se dedicou à era do rádio em doutorado na PUC Rio, cuja tese defendeu sob orientação do professor Júlio César Valladão Diniz.
Agora publicada em livro. a pesquisa resultou em “ensaio quase de história, de recuperação de uma época”, enquanto na dissertação ela se enveredou por uma análise estética do movimento liderado por João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. “Na época, a ideia me foi dada por Chico Buarque, sob o argumento de que enquanto nomes como Noel Rosa e Ataulfo Alves eram recusados pela bossa nova, Dorival Caymmi era absorvido por ela”, salienta Stella, ao lembrar que o avô foi um dos que sobreviveram ao então novíssimo movimento musical que se estabeleceu na década de 1960, no Rio de Janeiro.

Cinara e Cibele, do Quarteto em C, Stella e Nana

Como faz questão de lembrar, depois de Carmen Miranda Dorival Caymmi foi o primeiro cantor a se apresentar em cassino no Brasil. “Até então eles só contratavam estrangeiros”, recorda a autora de 'O que é que a baiana tem? Dorival Caymmi na era do rádio'. Originalmente gravada para o filme Banana da terra, de 1938, O que é que a baiana tem? foi o grande sucesso do artista no ano seguinte, ao ser gravada por Carmen Miranda. “Quando a música estourou no rádio, ela ligou para meu avô propondo: ‘Vamos gravá-la?’, proposta imediatamente aceita por Dorival, que acabou levando-o à Broadway, graças ao sucesso que levou também Carmen Miranda aos Estados Unidos.

Danilo e a filha Alice Caymmi

Stella lembrou que seu avô um dos pilares da geração fundadora da música popular brasileira. Foi um dos artistas fundamentais dessa geração, ao lado de Pixinguinha, Noel Rosa e Ary Barroso. Essa foi uma geração incrível. Lembro-me de meu avô contando, durante as entrevistas que fiz com ele, do quanto ele e Carmen se tornaram amigos. Ela chegou a desabafar com ele que iria parar de cantar para se casar com o músico Aloysio de Oliveira. O sucesso de O que é que a baiana tem?, no entanto, foi tão avassalador que a levou direto para Hollywood e a Broadway.
A marca alcançada nesta quarta-feira, dia 30, data em que se comemora o centenário de Caymmi,  será comemorada com lançamento de disco, livros, exposições, shows, concertos, programas de TV e até um selo especial lançado nesta semana pelos Correios.

Os irmãos

Dentre as homenagens musicais, a principal é o álbum "Dorival Caymmi: Centenário", previsto para agosto. O disco foi idealizado por Dori, que convidou, além dos irmãos Nana e Danilo, Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil para participarem do projeto.
"Chamei o Chico porque ele era o compositor da minha geração favorito do meu pai", conta Dori à Folha de S.Paulo. "E o Caetano e o Gil porque são os dois baianos mais importantes da minha geração."
Durante o ano, outros eventos celebrarão o centenário de Caymmi. Em julho, uma exposição com curadoria de Stella com itens como fotos, letras de música e pinturas estreará no Centro Cultural Correios de São Paulo.



BIOGRAFIA COMPLETA 



A  nova edição da mais completa biografia de Dorival Caymmi (1914-2008), um dos nomes mais importantes da música brasileira, que encantou o país com sua voz grave e doce, e suas canções lapidares, síntese do imaginário do povo, está sendo publicada agora em formato mais acessível, além de revista e atualizada com um novo posfácio da autora,  Stella Caymmi, neta do compositor. 

Glória Perez com Nana e Stella

O lançamento integra as comemorações do centenário de Caymmi, a serem realizadas neste ano.
Figura seminal da cultura brasileira, Dorival Caymmi (1914-2008) integrou as principais fases da história de nossa música: a Era de Ouro do rádio, nos anos 1930 e 40; o samba-canção e o advento da TV, na década de 50; a bossa nova, a partir de 1958; e a moderna MPB. Como explicar a obra desse baiano, que encantou o país com suas canções lapidares, síntese de todo um imaginário do povo?

Luiz Carlos Lourenço e Nana Caymmi

A narrativa acompanha passo a passo a sua trajetória, desde as raízes da família na Itália, a infância em Salvador e a mudança do jovem compositor para o Rio de Janeiro, em abril de 1938. Nesta cidade, Caymmi logo atingiu a fama, quando seu samba “O Que É Que a Baiana Tem?” foi incluído no filme Banana da Terra, estrelado por Carmen Miranda. Nascia ali um dos maiores nomes da música brasileira, que soube aliar as qualidades de compositor às de intérprete, com sua voz grave e doce acompanhada ao violão. No centenário do baiano, vale lembrar os versos do admirador Chico Buarque: “Contra fel, moléstia, crime/ use Dorival Caymmi”.

O fotógrafo Marcos Rodrigues abraça a autora

Stella Caymmi nasceu em Caracas, Venezuela, e vive no Rio de Janeiro desde os 3 anos de idade. Formada em Jornalismo pela PUC-Rio, com mestrado e doutorado em Literatura Brasileira pela mesma instituição, vem trabalhando na área cultural como assessora de imprensa, pesquisadora, redatora e editora, tendo artigos publicados em diversas revistas nacionais. Escreveu perfis biográficos para songbooks de vários músicos brasileiros e participou da produção de shows da família Caymmi no Brasil e no exterior. É autora dos livros Dorival Caymmi: o mar e o tempo (Editora 34, 2001, indicado ao Prêmio Jabuti de Melhor Biografia), Caymmi e a bossa nova (Ibis Libris, 2008) e O que é que a baiana tem?

Ricardo e Lourenço, representando a LBV( Legião da Boa Vontade)
Luis Carlos Bimbão e Nana