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quinta-feira, 10 de abril de 2014

ANIMAIS EM LIBERDADE NO
JARDIM BOTÂNICO DO RIO






De Luiz Carlos Lourenço
fotos de Daniel Marques 




Graças à riqueza da vegetação, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro é frequentado por várias espécies de animais. A ligação física com as florestas do Parque da Cidade e Parque Nacional da Tijuca serve de apoio à proteção das espécies nativas.Ainda não existem estudos precisos sobre a fauna encontrada no local, salvo uma relação de aves aí observadas, com 138 espécies de 34 famílias. Entre 1940 e 1980, tais espécies foram catalogadas pelo ornitólogo Augusto Ruschi (1916-1986). Dentre elas citamos: periquitos, tucanos, maritacas, saíras, gaturanos, sanhaços, tiês e muitos outros pássaros que fazem seus ninhos nas árvores do Jardim.


Grande número destes pássaros frequenta o parque o ano inteiro, como o tico-tico, a rolinha, o pardal, a cambaxirra, o bem-te-vi (Pitangus suphuratus maximilliani), o sebinho, os sanhaços e outros. Muitos têm permanência periódica, pois migram no inverno, como por exemplo, balança-rabo-rajado (Ramphodon naevius naevius), beija-flor-verde-do-peito-azul (Amazilia lactea lactea), estrela-verde-da- mata (Clutolaema rubricauda), rabo-branco-da-mata (Phaethornis eurynome eurynome) e rabo-branco-pequeno-da-mata (Phaethornis squalidus squalidus).


A jacupemba (Penelope obscura), além de se alimentar de frutos das espécies cultivadas no arboreto também se reproduzem nas matas do parque. Dos mamíferos, que aqui habitam, destacam-se os caxinguelês (Sciurus ingrami) - símbolo do Jardim Botanico, BRJ - bandos de micos ou sagüis (Calitrix jacques), macacos-prego (Cebus) e ocasionalmente gambás (Didelphis).
Nos lagos se observam espécies exóticas e nativas de peixes. Lagartos, cobras e uma variedade imensa de borboletas são também assíduos frequentadores do parque.


UM OASIS NA CIDADE 


Para aqueles que nunca foram ao Jardim Botnico, pode-se dizer que o local é um verdadeiro santuário ecológico. Assim pode ser definido o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, um dos dez mais importantes do gênero no mundo, que além de abrigar as mais raras espécies de plantas da flora brasileira e de outros países, é uma ótima opção de lazer para crianças e adultos e um deleite para aqueles que querem contemplar a natureza.
Um passeio pelas alamedas do parque, onde animais silvestres fazem parte do cenário ao som da melodia do canto de curiós e sabiás que habitam o lugar, deixam o público fascinado. A exuberância da natureza toma conta do visitante que, deslumbrado pelo colorido e a variedade da flora, captura imagens de todos os cantos, imagens que ficarão registradas na memória e na alma. Entre os cerca de 8200 exemplares da coleção viva do jardim, as atrações ficam por conta de palmeiras imperiais e espécies em extinção, como o pau-brasil, o aracá amarelo e o pau mulato, os canteiros medicinais e os jardins japonenes, sensorial e rotário.


O orquidário, é um espetáculo à parte. Seus três mil exemplares de 600 espécies diferentes deixam qualquer um sensibilizado pela sua rara beleza. Desde 1996, o joalheiro Antônio Bernardo adotou a coleção, assumindo a responsabilidade pela recuperação e manutenção das plantas. Outras atrações são o bromeliário, com cerca de 1700 bromélias de diversas formações, o violetário, a estufa das plantas insetíforas - que capturam e digerem insetos, a coleção dos cactos, considerada uma das maiores do Brasil e a coleção de plantas medicinais. Uma parada obrigatória é a visitação aos seis lagos do Jardim, que abrigam belíssimas espécies de vitórias régia, lótus, papirus e água-pé. Entre eles, o Lago do Frei Leandro, que ganhou um projeto paisagístico e está totalmente recuperado.
Garças, bem-te-vis e borboletas que sobrevoam essa enorme área verde fazem a alegria das crianças. Em contato mais próximo com a terra, elas têm o privilégio de conhecer as mais diversas espécies de plantas e sentir seus diferentes aromas e texturas. As grandes folhas redondas e carnosas da vitória-régia chamam a atenção da garotada, que aprende a respeitar e amar a natureza desde cedo. Os pequeninos podem andar descalços e ainda brincar num parquinho ao ar livre, especialmente dedicado a eles, com banheiro infantil, areia limpinha e um quiosque com cardápio próprio para crianças. Enquanto a turminha se diverte na casinha de madeira, no escorrega, na gangorra e no balanço, os adultos podem degustar os quitutes que a lanchonete oferece e, depois, dar uma passadinha na livraria ou se deliciar com os brownies oferecidos pela cafeteria. Um programa imperdível com total conforto e segurança.


O Jardim Botânico situa-se no também chamado Bairro do Jardim Botânico, na rua que também se chama na Rua Jardim Botânico.em alguma estação que tenha ônibus integrado ao Metrô. Prôximo à Estação Botafogo do Metrô, existem ônibus que seguem pela Rua São Clemente (ao lado da estação) e passam pela Rua Jardim Botânico.
A área onde situa-se o Jardim Botânico, nas cercanias da Lagoa Rodrigo de Freitas foi povoada, embora não densamente, desde os fins do século 16, quando no local se estabeleceram vários engenhos. O nome original da Lagoa Rodrigo de Freitas era Sacopenapã, um nome Tupí.
O Jardim Botânico foi criado por Dom João VI, quando este ainda era Príncipe Regente, logo após sua chegada ao Brasil, no ano de 1808, sob o nome de Real Hôrto, anexo à uma Fábrica de Pólvora estabelecida no antigo Engenho da Lagoa, que pertenceu a Rodrigo de Freitas. O proprietário deste Engenho havia inclusive mandado construir uma capela no local.
D.João visitava o Real Hôrto frequentemente, tendo ele plantado com suas próprias mãos uma palmeira que veio das Antilhas, que hoje é chamada palmeira real ou palmeira imperial ou palma mater.


Ao completar seu centenário, a palmeira tinha 36 metros de altura. Interessante notar que, segundo o pintor de história Debret, que esteve no Brasil e trabalhou para Dom João VI, em seu livro sobre sua estádia no Brasil, Debret relata que, Dom João dificilmente andava vestido como foi pintado nos quadros, ou seja com aquelas roupas de cerimônias formais. Diz que ele era um bom cavaleiro, e gostava muito de sair a cavalo ao invés de couche quando estava no palácio de Santa Cruz ou outras áreas mais afastadas.
Voltando ao tema principal, em 1819 o o Real Hôrto foi aberto ao público com o nome de Real Jardim Botânico, tendo sido inclusive anexado ao Museu Nacional à mesma época. Em 1922, ano da Independência tornou-se uma repartição autônoma.